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Alerta no ENEM

Quatro milhões de brasileiros tiveram que parar para pensar e botar no papel suas impressões sobre “manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”.

Foi esse o tema da redação do Enem. Numa conta rápida, imagino que pelo menos vinte milhões de pessoas, ou 10% da população, tenha falado sobre o assunto no final de semana, considerando que os candidatos costumam comentar a prova em casa.

Especialistas em Educação que falaram à imprensa elogiaram o tema proposto, afirmando que, pela abrangência, facilita a vida do candidato que faz a prova e, sobretudo, pela atualidade do debate.

Passadas as eleições, conforme previsto (aqui), a manipulação das massas pelos metadados segue firme e forte.

Se já não se restringia ao consumo, aos costumes ou à política, cada vez mais mistura tudo, tornando a humanidade vulnerável a uma nefasta concentração de poder.

A falta de pensamento crítico somada ao alcance dos metadados atingiu níveis incontroláveis. Helio Rheinfrank, um amigo que as redes sociais me trouxe, cravou um apelido perfeito para o fenômeno: ditadura das cinco linhas.

Isto é, diante de um texto com mais de cinco linhas, o sujeito se confunde e fica com preguiça de ir além, tendendo a comprar pelo valor de face a manchete ou o rótulo que mais se aproxima do seu desejo emocional.

Separando a sociedade em bolhas com ajuda dos metadados, provocar o efeito manada nunca foi tão fácil e perigoso.

Para ficar em só um exemplo, semana passada o que mais recebi pelo WhatsApp de amigos animados com a eleição de Bolsonaro foram notícias de empresas declarando intenção de investir no Brasil.

As notícias, todas avalizadas, ora vejam, pela grande imprensa, são pra lá de animadoras. Problema: a maioria é antiga, data do começo do ano.

Perigo 1: recebi esses conteúdos de amigos executivos ou proprietários de empresas médias e grandes, que neste momento estão planificando orçamentos e traçando investimentos para o próximo ano. Planejar sob efeito de euforia é até mais arriscado do que dirigir embriagado.

Perigo 2: se pessoas nessas posições estão suscetíveis à desinformação nesse nível, imagine os menos escolarizados e com menor acesso à informação qualificada.

Perigo 3: em se tratando de emoções, quem tem a chave para manipular euforia, pode usa-la para causar depressão. Repito pois o alerta que fiz aqui no começo de 2017: imagine um disparo de WhatsApp bem bolado dizendo que determinado banco vai quebrar.

Dica: Pessoas físicas, assinem jornais. Pessoas jurídicas: anunciem em jornal.

 
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