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Ministérios fundidos

Chamar de superministério o da Justiça, que deve ser entregue a Sérgio Moro, é papo ou, por outra, só vale em relação à personalidade mitológica do juiz, maior que a do presidente eleito.

Até anteontem não havia ministério da Segurança Pública e o retorno do tema para o guarda-chuva da Justiça só será percebido em caso de fracasso.

Já transferir o COAF da Fazenda para a Justiça pode ser positivo, dado que a especialidade de Moro é lavagem de dinheiro e, como ensinou o Garganta Profunda, seguir o dinheiro é o melhor caminho para desvendar crimes, do tráfico de drogas à corrupção.

No caso, o problema passa a ser político-administrativo. Ministro tem muita coisa para fazer. Notadamente na Justiça, trata de temas sensíveis, relacionados a Direitos Humanos, questões indígenas, vulnerabilidade das minorias. E pepinos gigantescos, como criminalidade, setenta mil assassinatos e cinquenta mil estupros ao ano.

A parte boa é que Moro é dedicado e trabalhador. A parte ruim é que às vezes se excede. Como juiz esteve protegido pelo cargo técnico. Como ministro, será definitivamente político, e estará sujeito aos questionamentos democráticos por eventuais excessos.

O apelido de superministério para a Fazenda de Paulo Guedes é mais acertado, porque absorve outras duas pastas relevantes, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços, além de outros órgãos, como o Conselho Monetário Nacional e a Câmara de Comércio Exterior.

Na teoria tem um erro evidente. Por quê Indústria, Comércio Exterior e Serviços devem ficar sob a Fazenda, e outros setores fundamentais para a economia, como Agricultura e Turismo, não? Mais distante e não menos importante, fica ameaçada a discordância, fundamental para tomada de decisões impactantes.

A falta de contraponto interno ameaça também o lado bom, porque agilidade aliada à certeza desmedida aumenta o risco de incidentes, e até porque é impossível escapar das interferências externas dos vizinhos de Esplanada.

Com menos de dez dias de governo eleito, sobram arestas criadas entre os homens-fortes sem a menor necessidade. Gal Heleno fala de Direitos Humanos, Onyx Lorenzoni fala de Economia, Paulo Guedes fala de Relações Internacionais, astronauta fala de Educação, Gal Mourão fala de tudo.

Para lubrificar a Esplanada existe a Casa Civil, cujo nome ideal é sempre alguém discreto, conciliador e realizador. Bolsonaro escolheu Onyx Lorenzoni.

Entre as fusões ministeriais, a mais desastrada é a da Agricultura com o Meio Ambiente. O simbolismo é tão forte que nem precisa acontecer para dar errado. O estrago está feito e arrumar a casa vai demandar muito tempo, carinho e cuidado.

As idas e vindas do presidente eleito, somadas à declaração intermediária de que não faz diferença juntar ou não, porque quem nomeia é sempre ele, são multiplicadas por suas declarações e posições históricas. O barulho foi tanto que até a bancada ruralista acordou e pediu para não fazer.

O lado bom da molecagem – sim, até nesse caso ele existe – é que, repreendido, o moleque toma consciência da bobagem que fez e concentra esforços em reconstruir a própria imagem entre os adultos, se afastando dos coleguinhas endiabrados e dando sinais claros de que aprendeu a lição.

 
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