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Doria e Kassab estreiam no Novo Foro de SP

Acelerando uma fita pelo botão fast foward, poderemos ver Gilberto Kassab na rampa do Planalto despedindo-se de Dilma Rousseff com a mão esquerda e, com a direita, cumprimentando Michel Temer.

Desde então e até dezembro, Kassab segue ministro. E já na primeira manhã de 2019 terá outro posto de relevância: secretario-Chefe da Casa Civil do governador João Doria.

Os que insistem em duvidar da pureza de Kassab sugerem que Doria, na verdade, paga pelo apoio eleitoral com a carteirinha do Novo Foro de São Paulo, isto é, condição de secretário de Estado para manter o privilégio de ser julgado por cortes superiores.

Há quem diga que, com a mudança de cargo, seus processos que hoje correm no STF migrariam para o STJ, ficando em Brasília de qualquer jeito.

Outros sustentam que o privilégio acaba junto com a exoneração, posto que em maio o STF restringiu o alcance da prerrogativa de função a quem cometer faltas estando no cargo e em função dele.

Em que pese as investigações contra Kassab serem anteriores à posse no ministério atual, hoje ele escapa por ter tomado posse em abril, um mês antes do entendimento do STF, que por ora é só jurisprudência e sem norma escrita.

Por via das dúvidas, garantir com Doria o Novo Foro de São Paulo não custava nada. Mesmo assim, não parece ser tudo.

Entre as tantas pastas que vestiriam bem o histórico executivo de Kassab, prefeito e ministro, João foi lhe entregar justo aquela que lhe é feita sob-medida: a Casa Civil. No caso, braço que não será direito, esquerdo ou de centro, mas que sabe lubrificar as relações políticas.

Dado que Kassab, tendo a oportunidade de governar a cidade de São Paulo, deixou a própria casa em segundo plano e se dedicou a fazer, com êxito pragmático, um partido para chamar de seu, é de se esperar que a encomenda de Doria seja a mesma: não há nada que lhe falte mais hoje em dia do que um partido.

Tendo sido eleito governador numa vitória de Pirro, apertada, repleta de traições, fogo amigo e baixas valiosíssimas, João Doria é o coronel à frente do maior arsenal do país, mas com tropa desfalcada e liderança comprometida. Para chegar bem em 2022 tem que mudar isso daí. Tá ok? Morou?

A favor de João conta o fato do governador só estar na berlinda se quiser. O dia-a-dia das pessoas é problema do prefeito e o presidente é avaliado pelo bolso (sem trocadilho).

Na conta do governador o que se destaca é segurança pública. O destino quis que o vencedor fosse aquele que elevou o tom contra o trabalho que vem sendo feito, vigoroso e denso, mas ainda assim percebido como insatisfatório.

Seria difícil para qualquer um, mas para quem prioriza a marquetagem é pior. Patinando, deve começar a reclamar da falta de apoio do governo federal, mostrando que sabe quem disputa 2022 na mesma raia.

E o outro lado não poderá reclamar: Sergio Moro apareceu ontem dizendo que será ministro, mas não se vê como político, e chegou a simular choro. Se roubo de personagem constasse no código penal, Doria poderia registrar queixa.

 
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