Facebook YouTube Contato

Doria e Kassab estreiam no Novo Foro de SP

Acelerando uma fita pelo botão fast foward, poderemos ver Gilberto Kassab na rampa do Planalto despedindo-se de Dilma Rousseff com a mão esquerda e, com a direita, cumprimentando Michel Temer.

Desde então e até dezembro, Kassab segue ministro. E já na primeira manhã de 2019 terá outro posto de relevância: secretario-Chefe da Casa Civil do governador João Doria.

Os que insistem em duvidar da pureza de Kassab sugerem que Doria, na verdade, paga pelo apoio eleitoral com a carteirinha do Novo Foro de São Paulo, isto é, condição de secretário de Estado para manter o privilégio de ser julgado por cortes superiores.

Há quem diga que, com a mudança de cargo, seus processos que hoje correm no STF migrariam para o STJ, ficando em Brasília de qualquer jeito.

Outros sustentam que o privilégio acaba junto com a exoneração, posto que em maio o STF restringiu o alcance da prerrogativa de função a quem cometer faltas estando no cargo e em função dele.

Em que pese as investigações contra Kassab serem anteriores à posse no ministério atual, hoje ele escapa por ter tomado posse em abril, um mês antes do entendimento do STF, que por ora é só jurisprudência e sem norma escrita.

Por via das dúvidas, garantir com Doria o Novo Foro de São Paulo não custava nada. Mesmo assim, não parece ser tudo.

Entre as tantas pastas que vestiriam bem o histórico executivo de Kassab, prefeito e ministro, João foi lhe entregar justo aquela que lhe é feita sob-medida: a Casa Civil. No caso, braço que não será direito, esquerdo ou de centro, mas que sabe lubrificar as relações políticas.

Dado que Kassab, tendo a oportunidade de governar a cidade de São Paulo, deixou a própria casa em segundo plano e se dedicou a fazer, com êxito pragmático, um partido para chamar de seu, é de se esperar que a encomenda de Doria seja a mesma: não há nada que lhe falte mais hoje em dia do que um partido.

Tendo sido eleito governador numa vitória de Pirro, apertada, repleta de traições, fogo amigo e baixas valiosíssimas, João Doria é o coronel à frente do maior arsenal do país, mas com tropa desfalcada e liderança comprometida. Para chegar bem em 2022 tem que mudar isso daí. Tá ok? Morou?

A favor de João conta o fato do governador só estar na berlinda se quiser. O dia-a-dia das pessoas é problema do prefeito e o presidente é avaliado pelo bolso (sem trocadilho).

Na conta do governador o que se destaca é segurança pública. O destino quis que o vencedor fosse aquele que elevou o tom contra o trabalho que vem sendo feito, vigoroso e denso, mas ainda assim percebido como insatisfatório.

Seria difícil para qualquer um, mas para quem prioriza a marquetagem é pior. Patinando, deve começar a reclamar da falta de apoio do governo federal, mostrando que sabe quem disputa 2022 na mesma raia.

E o outro lado não poderá reclamar: Sergio Moro apareceu ontem dizendo que será ministro, mas não se vê como político, e chegou a simular choro. Se roubo de personagem constasse no código penal, Doria poderia registrar queixa.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>