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Ministério da Família

Vão dizer que eu sou implicante com o Bolso. Paciência. Ocorre que, até quando eu gostaria de elogiar, o presidente eleito acaba me decepcionando.

Ainda ontem especulava-se sobre quem estaria à frente do ministério da Família. Fiquei de olho na equipe de transição para quiçá conseguir um furo sobre as diretrizes da nova pasta. Acionei ferramenta de busca automática para ser avisado sobre qualquer movimento.

Hoje pela manhã, balde de água fria. O Antagonista deu que um dos filhos do ex-capitão afirma que papai desistiu da Família, assim, com F maiúsculo, significando o ministério.

Ainda que não tenha votado nele, me sinto frustrado. A promessa de um ministério inteiramente dedicado à reestruturação da família, somada ao compromisso de voltarmos a ser o que fomos há cinquenta anos era acalentadora.

Contribuiu para aumentar minha expectativa os termos da conversa entre Bolsonaro e Michel Temer. Segundo o presidente eleito, o presidente atual está disposto a colaborar com o novo governo “no que for possível”.

Ligando lé com cré, considerei que, estando Temer enrolado com a Justiça, não será possível aproveita-lo no próximo governo, que obviamente será pautado pela probidade. Pegaria mal. Daí que a única possibilidade de colaboração que posso imaginar é a indicação da primeira-dama Marcela Temer para ministra da Família. Bela, recatada, do lar e acostumada à serenidade dos áureos tempos da sagrada instituição, seria formidável.

Minha preocupação maior é com o prazo. Mais urgente do que a Previdência é o país saber como será o próximo carnaval, que pela tradição mais recente despontará nas principais capitais brasileiras trinta dias depois do desfile de posse.

Da parte das autoridades convém amaciar os militares e o juiz-ministro, que serão homenageados com máscaras, fantasias e marchinhas, às quais não estão acostumados. É claro que pelas ruas teremos tenente beijando cabo, general comendo brisadeiro, aspirante cheirando lanceiro e outros chistes desse povo cafajeste. Meretríssimas de mini-toga, bidês da lava jato, Têmis balançando as vergonhas também prometem.

Da parte da família urge uma cartilha para saber como deverão se comportar as senhoras honestas, isto é, as casadas. Continuarão submetidas à doutrinação de igualdade? O tal empoderamento seguirá impedindo que o homem de bem possa brincar o carnaval sem ouvir mimimi? Ou não é meritório que o homem que trabalha possa foliar três, quatro, no máximo trinta dias sem dar satisfação em casa?

Para não dizerem que não tentei ajudar, segue minha sugestão: ouçam o Ary Barroso.

“Fica decretado que o homem que sair pela avenida de camisa amarela poderá exibir à sua senhora um sorriso de ironia e desaparecer no turbilhão da galeria, bem chumbado, bem mamado, atrapalhado. Poderá o homem de bem cantar a Florisbela, desde que volte ao lar até às cinco horas da manhã de uma quarta-feira, cantando a Jardineira. A mulher honesta deve esperar seu pedaço tendo em mãos um copo d’água com bicarbonato e gostar dele assim, certa de que ‘passada a quarta-feira ele é pra mim’. Brasil acima de tudo e Nosso Senhor do Bonfim acima de todos.”

 
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