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A coisa não pública é melhor que a estatal e que a privada

Entro no site da minha escola e vejo a celebração: Universidade Presbiteriana Mackenzie – eleita por 7 anos consecutivos a melhor universidade não pública do estado de São Paulo.

É mesmo uma maravilha mas o que eu queria dizer é da importância do termo “não pública”, muito diferente de “privada”.

Na onda liberal que chegou ao Brasil, quebrando a torto e a direito conforme a conveniência do palestrante, o debate vai morrendo afogado antes de chegar à praia.

Num extremo, gente que acha que o Estado tem que fazer quase tudo, notadamente Educação e Saúde. No outro, a turma da autoconfiança cega pela certeza de que o boi só engorda sob o olhar do dono. E como se não bastasse, ainda têm os malucos que acham que pode haver um dono do Estado – mas esses vamos deixa pra lá. Hoje é sexta-feira.

A beleza do termo “não pública” é mostrar, para um lado, que a sociedade organizada pode prestar com excelência os serviços essenciais, inclusive saúde e educação e, para o outro lado, que a inexistência de um dono tende a ser melhor.

Excelência em serviço “não público” em Educação vale da universidade à escola de base, e melhor do que eu argumentar é citar os exemplos: São Luiz, Santa Cruz, Santo Américo, Dante Alighieri, Mack, PUC, FAAP.

Para falar de Saúde dá para ir na mesma linha: Oswaldo Cruz, Santa Catarina, HCor, Sírio Libanês, Albert Einstein, Santa Casa de Misericórdia (foi quem salvou a vida do presidente eleito).

Todos as entidades dos dois parágrafos acima criaram, através das décadas, modelos semelhantes de controle e participação social.

Ah, mas custa caro e pouca gente pode pagar. Será? Vale a pena se desarmar e pensar nas possibilidades de parceria. Em Educação Fernando Haddad fez os vouchers do FIES e do PROUNI. Na Saúde João Doria fez o Corujão.

Na Habitação Lula fez o Minha Casa, Minha Vida, Gilberto Kassab fez o Jardim Edith, Geraldo Alckmin fez o Complexo Júlio Prestes. Temos PPPs exitosas em Transportes, Energia, Saneamento e até em Segurança.

Na iniciativa privada o conceito “não público” também parece funcionar melhor. As maiores e mais longevas empresas do mundo são as que conseguiram superar a figura do dono ou sua família, substituídos por conselhos e milhares de acionistas.

Inclusive no primeiro setor temos bons exemplos. FHC privatizou a Vale, que se agigantou, e fez a maior reforma agrária. No agro, os melhores casos estão em empresas ou cooperativas que superaram o sinhozinho ou o coroné.

Hoje as empresas mais valiosas ainda têm donos, é verdade. Apple, Amazon, Alphabet, Microsoft, Facebook. O que todas têm em comum? São jovens, só existem porque o Estado americano criou a internet e estão causando problemas graves mundo afora justamente pela concentração de poder.

Duvido que o mais fervoroso liberal encontre argumentos para defender a manutenção desse estado de coisas. E deus nos livre de quem possa imaginar algum Estado controlando tudo isso. A saída para a sociedade é clara: tomar as rédeas ou cair do cavalo.

 
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