Facebook YouTube Contato

“Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema.”

 

“Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema.” Nadadora de longa distância, a juíza Gabriela Hardt começou o interrogatório do ex-presidente Lula sufocando o folego que o petista imagina ainda ter.

Malandramente, Lula sofismava sobre a propriedade do sítio de Atibaia, enquanto a acusação era sobre ele ter se beneficiado das obras realizadas no local.

Os pedalinhos com os nomes dos seus netos, os remédios de manipulação com o nome da finada dona Marisa, a adega invejável e a coleção de camisetas de clubes de futebol com Lula grafado nas costas, somadas a e-mails e telefonemas provam que a família Lula da Silva era assídua por lá. Sem ter como negar o fato, Lula tentou escapar fingindo não saber do que era acusado. Não funcionou e agora a defesa quer falar de novo, caso a juíza venha a ser substituída.

Outra cafajestagem, ofuscada pelo tranco da doutora no depoente, foi o traço machista da resposta de Lula sobre a cozinha: “Não sei se a senhora é casada, mas seu marido entende pouco de cozinha, como eu.” A juíza ainda se deu ao trabalho de explicar que é divorciada e que não manja de cozinha.

É malandragem porque Lula não só entende de cozinha como gosta de falar a respeito, exaltando seu ensopado de coelho. É machista porque sugere que lugar de mulher é na cozinha e ainda mexe com a velha relevância do casamento para a mulher. Funcionou, tanto que a juíza respondeu, passando recibo.

No mesmo dia, 14 de novembro, Bolsonaro foi à Justiça Eleitoral. Na sede do TSE, ameaçado por pelo menos 17 inconsistências em sua prestação contas eleitorais, pediu desculpas à presidente Rosa Weber por insistir na dúvida sobre a lisura do processo, repetindo várias vezes que desconfiava das urnas e que sua não eleição seria fraude, ao que chamou de “caneladas”, atribuindo à temperatura elevada da campanha.

Bolsonaro é tão malandro quanto Lula. Ora, alimentar a desconfiança sobre as urnas, as instituições, a democracia não foi uma “canelada” que escapou no calor do embate, mas sua plataforma de campanha – uma das únicas, somadas a outras declarações cafajestes contra mulheres, gays, negros, pobres.

Mais experiente do que a colega da primeira instância, a ministra respondeu presenteando o presidente eleito com um exemplar da Constituição Federal. Luva de pelica contra cafajestada.

Exemplos de semelhanças entre os dois velhacos poderiam acabar por aí, mas foram além na semana que passou. A tão criticada diplomacia ideológica lulopetista foi substituída por seu equivalente ultraconservador delirante, como provam as posições do diplomata militante e chanceler indicado Ernesto Araújo.

Ainda antes da indicação já levávamos pitos da China, Europa, Egito / países árabes, Mercosul e até Cuba. Quando começar viajar de fato com seu chanceler, será comum Bolsonaro ouvir da comunidade internacional a frase que a juíza Hardt disse a Lula: “Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema.”

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments