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Marcela e Michelle

Nunca entendi o significado de “real estate”. Chegou ao Brasil recentemente, na onda da gourmetização, para identificar o corretor de imóveis do chamado alto padrão. Então fui fuçar e descobri que, na tradução literal, é algo relacionado a “investimento real”. Quer dizer, igual o boiadeiro que se diferencia do mercado de capitais afirmando que trabalha na “economia real”, o “real estate” no setor imobiliário sugere que, no lugar de comprar papel, comprando imóvel você teria um investimento de verdade. Logo, a rigor, serve do casarão à quitinete.

Quem me levou a fuçar o significado original foi a primeira-dama Marcela Temer, que na última quarta-feira mostrou o Palácio da Alvorada à sucessora, Michelle Bolsonaro. Palácio remete à realeza, e sendo a casa do chefe de estado… Bom, achei melhor fuçar e notei que estada errado.

Pano rápido, o Alvorada é uma maravilha. Bota a Casa Branca no chinelo. Na cobertura destacada pela imprensa há vídeos onde podemos acompanhar a apresentação do imóvel. Meus destaques vão para o carrinho de bar na sala de jantar, a escadaria, a sala de cinema, as telas todas. Achei a cozinha um pouco grande para o dia-a-dia. Mas deve ter uma copa e, por outra, o casal presidencial não deve ter tempo para cozinhar.

Também chamou atenção a elegância de Marcela e Michelle. Ambas têm modos semelhantes aos dos maridos. Os Temer são formais; os Bolsonaro, despachados. E na visita ao Alvorada surgiram com a toalete invertida: Marcela em jeans rasgado, Michelle num terninho rosa. Sinal de preocupação com a reciprocidade.

Disseram que a cobertura do encontro das primeiras-damas foi machista, por evidenciar coisas relacionadas ao lar. Pode ser. Mas também é verdade que a Globo deu que a senhora Bolsonaro passou antes no CCBB, onde afirmou estar interessada em se dedicar a programas sociais, e quem sabe dê continuidade ao Criança Feliz da senhora Temer.

Eu, velhinho classe-média do século XX, obviamente não escapo de ser machista e, me colocando na pele dos maridos, me senti aliviado por só haver duas opções de habitação disponíveis ao presidente da República. Quem já procurou casa com a chefa conhece o martírio. Depois de inúmeras visitas ela enfim escolhe – e quer mudar tudo: sala prum lado, banheiro pro outro, transforma um quarto em salinha de não sei o que. E tome almofada, sobre a cama, no sofá, nas cadeiras.

Depois de conhecer o Alvorada, Michelle foi conferir a Granja do Torto, que aparentemente preferiu. O casal Bolsonaro deve morar lá pelo menos até o 1º de janeiro, o que é positivo em pelo menos um ponto: a última foto caseira publicada pelo presidente eleito no twitter mostra a preparação de um churrasco esculhambado, com uns bifes sendo temperados sobre a tampa de um caldeirão, vassoura apoiada na pia, enfim a versão churrasco do celebre café da manhã sem prato e com leite condensado, servido na lata, comido com pão direto do saco.

O ponto positivo é a churrasqueira da Granja do Torto, um colosso, construída, se não me engano, no período do general Figueiredo. Com metros de extensão, a vala tem variadas profundidades, cada qual destinada a um tipo de carne, devidamente identificadas em placas de bronze. Como essas coisas são pensadas para impressionar, e costuma funcionar, a imponência deve nos livrar de novos retratos como o do churrasco na Barra da Tijuca.

Me compadeço do general Mourão, meu predileto no governo eleito. Gaúcho e cavaleiro, deve estar louco para morar no Torto, que além da churrasqueira tem as cocheiras do general Figueiredo. Paciência, general. Michel Temer, por exemplo, segue no Jaburu mesmo não sendo mais vice.

 
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2 Comments  comments 

2 Respostas

  1. Fre

    Leozinho, o alvorada é deslumbrante por fora. Por dentro não conheço. Você velho? Beijão