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Paulo Guedes – mas que baita macho!

“Amarrei o cavalo no tronco, entrei no baile chutando o capacho, e já senti no olhar das véia / suspiro das moça: mas que baita macho!”

Sérgio Reis, cantor, compositor e congressista, embalou bailes mil com seu violão bem-humorado. E ontem, vendo Paulo Guedes discursando na Firjan, a moda de fundo que se podia ouvir era essa da abertura. Baita macho!

À burguesia reunida para o almoço, o Posto Ipiranga do Bolso não podia ser mais direto: “Tem que meter a faca no Sistema S também.”

Parênteses para a coincidência histórica: o anfitrião Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da Firjan há 23 anos ou oito mandatos consecutivos, tem origem empresarial no grupo petroquímico Ipiranga. Metido num distinto terno mostarda, sorria enquanto era elogiado pelo palestrante: “Se chegarem uns interlocutores inteligentes e preparados, que queiram construir, como o Eduardo Eugênio, a gente corta 30%. Se não, é 50%”, afirmou PaGue.

E foi além: “Vocês estão achando que a CUT perde sindicatos e aqui fica tudo igual, o almoço é bom desse jeito e ninguém contribuiu?” Chegou a dramatizar, com pausa para gole d’água e expressão de espanto, num chiste com a plateia.

Era de se esperar um calor infernal nos salões, labaredas mais altas do que a da refinaria de Manguinhos, que naquele momento ardia na Zona Norte. Só que não. O ar-condicionado marcava 22 graus e a confraria parecia ainda mais fresca. E o motivo está além da técnica clássica de bater antes na CUT sempre que for dizer algo desagradável ao patronato.

A explicação da harmonia parece clara. Saca o enredo.

Logo depois de consagrado pelas urnas o Posto Ipiranga do governo eleito disse que ia “salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”. Traduzindo, mais concorrência e menos cartórios setoriais.

Em outra “coincidência”, ainda ontem em Brasília o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI Carlos Abijaodi dizia: “Não podemos ter proteção exagerada nem abertura inconsequente”, e que políticas industriais e comerciais devem ser feitas “sem preconceito”. Isso num debate realizado pelo jornal Correio Braziliense com a presença do futuro secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade Carlos Costa, que tomou nota.

Como se conversassem numa videoconferência BSB/RIO, PaGue dizia na Firjan como vai tratar estados e municípios na necessária revisão do pacto federativo: “Estamos prontos para ajudar. Acabou o toma-lá-dá-cá. Vamos fazer bonito.” Para logo em seguida emendar (!): “Se não apoiar vai lá pagar sua folha. Quero que dinheiro vá para estados e municípios, mas me deem a reforma primeiro.” E sobre a Cessão Onerosa do petróleo: “Vou ter uma graninha para todo mundo que ajudar a aprovar. Se não ajudar não tem grana para ninguém.”

Industriais são bons entendedores e obviamente deram duplo azul no zap do PaGue, que retribuiu.

Desenhando, é o seguinte: PaGue parece disposto a gradualizar a salvação que prometeu à indústria, apesar dos industriais. Como? Mantém bilhões em privilégios fiscais setoriais de um lado e cobra a conta do Sistema S.

Donald Trump, que ameaçou travar o governo caso dos democratas negassem orçamento para o muro na fronteira com o México, não deve conhecer o Posto Ipiranga. Caso venha a conhecer, a Esplanada bolsonarista pode perder um membro.

 
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