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Lula faz fumaça

Consta que Lula não fuma pelo menos desde o câncer. Tampouco faz coelho no fogão à lenha do sítio Los Fubangos em São Bernardo do Campo. Porém, mesmo preso em Curitiba há meses, segue fumegando mais que pau molhado na fogueira que ajudou a montar no Brasil.

A liminar do ministro Marco Aurélio Mello (mMAM) publicada ontem e ainda ontem suspensa pelo presidente da corte Dias Toffoli é emblemática. Centrada em torno de Lula, a repercussão fez fumaça de conveniência para um sem número de pessoas. Tentarei, abaixo, citar alguns casos que me ocorrem.

O ministro Gilberto Kassab, já indicado para chefiar a Casa Civil do governador eleito João Doria, amanheceu com a notícia de que a Polícia Federal estava em seu apartamento atrás do shopping Iguatemi. Por lá acharam R$ 300 mil reais em espécie, que o ministro diz ter como comprovar a origem. Deve ter mesmo. Kassab trabalha 24/7. A PGR diz que só da JBS ele recebeu R$ 58 milhões. E, se os agentes conversaram com o zelador do Edifício Monfort, devem ter notado o rosto aliviado de um trabalhador que passou anos em aflição com o trânsito de mão única de bagagens nas dependências do condomínio.

O senador reeleito Renan Calheiros, candidato favorito à Presidência do Congresso em 2019, viu sumir no fumacê a decisão do mMAM sobre voto aberto na eleição do Senado. Os cálculos que vêm de Brasília indicam que pelo menos uma dúzia de senadores dispostos a votar no alagoano em segredo ficariam constrangidos caso tivessem que faze-lo com a luz acesa.

A Câmara Criminal da Procuradoria se manifestou oficialmente sobre a liminar do mMAM alarmando a sociedade para a soltura de “pedófilos, estupradores e homicidas”. O MBL e os bolsominions esparramaram. Até o momento presente não houve pedido de desculpas pela nota oficial que desinformava a população: o texto da liminar excluía criminosos de alta periculosidade.

O Alto Comando do Exército, colégio integrado por quinze generais, se reuniu em videoconferência para se antecipar a eventuais manifestações ou distúrbios populares que derivariam da soltura de Lula. Dica: o mesmo cenário pré-impeachment ou prisão, com exército do Stédile na rua, com tudo. Quer dizer: nada.

A diplomação dos deputados eleitos em MG e RS foi um circo de horrores. Os mineiros chegaram a trocar socos. Anteontem em SP também teve empurra-empurra. Talvez o primeiro na história da distinta Sala SP, ambiente onde a turma costuma se comportar como se estivesse em país civilizado.

O presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia assumiu a Presidência da República por conta da viagem do presidento Temer ao Uruguai, onde participou da reunião do Mercosul. Com a caneta na mão, sancionou o texto que afrouxa a Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo que estados e municípios estourem seus gastos, conforme aprovado pelo Congresso. O mesmo Congresso que outro dia votou o impeachment de Dilma Rousseff por pedaladas fiscais.

O presidento Michel Temer, bem como seu aliado e ministro Moreira Franco, entre outros, tiveram suas investigações enviadas para a primeira instância, no Rio, em SP e no DF. Pouca gente atinou para o fato de que a decisão do ministro Marco Aurélio fala sobre prisão em segunda instância, não sobre soltura. No fim as coisas andam juntas, é claro. Mas o principal é o seguinte: o gato (angorá) subiu no telhado. Isto é: se soltar preso ilustre já na segunda instância dá muita confusão, todos os advogados de defesa vão argumentar que, para afastar o risco de mais confusão, que se evite antes trancar novos condenados ilustres antes do trânsito em julgado. “Com o Supremo, com tudo.”

O embaixador francês nos EUA Gérard Araud fez troça com a última live do presidente eleito Jair Bolsonaro, que disse ser “insuportável” viver na França.

Fabrizio Queiroz, chofer e amigo do coração da BolsoFamília, deu perdido no MP. Com depoimento marcado para ontem, quando compartilharia com todos nós a explicação “bastante plausível” que segredou ao primeiro-filho Flavio Bolsonaro sobre o R$ 1,2 milhão que movimentou em sua conta, Queiroz alegou um mal súbito relacionado à saúde e não apareceu.

Um amigo, convidado para a confraternização de fim de ano da firma, aproveitou a confusão para enfaixar o pé e deixar para estar com os coleguinhas no ano que vem.

 
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