Facebook YouTube Contato

Desencana, Damares

Se todo mundo tem um tio meio Bolsonaro, me arrisco a dizer que as tias Damares costumam ser mais frequentes. É a típica “senhora de família” que vive antes preocupada com a vida alheia do que com a própria.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos foi à Globo News contar a que veio. O cenário, que lembrava uma sala de visitas, poderia ter ajudado no clima, mas talvez tenha atrapalhado. Era o retrato fiel da tia intrometida que chega ao almoço de domingo e, candidamente, passa a operar contra a harmonia. A esquete é manjada: falando em nome do “bem”, ataca a todos genericamente.

Além de não saber explicar a razão de ser do quinhão “Família” do ministério, ponto vago desde o discurso de posse, quando tentou dar um exemplo de como a pasta poderia funcionar, piorou tudo. Disse que o jovem brasileiro sulista que passa no ENEM e entra numa faculdade de medicina no Norte, acaba sofrendo com a distância dos pais, e que seu trabalho seria criar alternativas.

A turma ainda tentou um contraponto, explicando que é parte importante do desenvolvimento pessoal, realização de um sonho, comum no mundo inteiro. Em vão. Para ela o bom é ficar debaixo da asa da família e que no exterior “papai tem dinheiro para visitar o filinho”. Qualquer semelhança com a BolsoFamília não deve ser mera coincidência.

Porém, sendo que tais figuras é o que temos para hoje, convém dar uma força.

Ministra Damares, já que foram extintos os ministérios das Cidades e do Trabalho,

aproveite os técnicos ora desocupados e peça dados sobre o convívio diário entre pais e filhos nas cidades. Você verá que, descontadas as horas trabalhando, em deslocamento e dormindo, mal sobra tempo para que a família trate de alimentação, educação, lazer.

Desencana do jovem que passou em medicina. Ele está bem e talvez você precise mais dele do que o inverso.

Desencana também se as crianças serão chamadas de príncipe ou princesa. No Brasil profundo, se alguém encontrar motivo para tratar os filhos assim, provavelmente é porque confundiu os nomes da prole.

Na Inglaterra ainda há príncipe e princesa, que costumam estudar nas escolas da igreja Anglicana, de denominação cristã como a sua, e cuja chefe é a rainha. Sabe o que eles decidiram? Que a infância é sagrada e os sonhos das crianças não podem ter qualquer interferência. Isto é, se menino quiser brincar de princesa e menina de príncipe, tá ok.

Temos problemas reais, ministra. Meninas e meninos crescendo e se multiplicando num manguezal de DSTs por falta de qualquer orientação. É improvável que vesti-los de rosa ou azul possa alterar o quadro.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments