Facebook YouTube Contato

Sobre pregos e bombas ou chimarrão para Bolsonaro

Juro por Deus que minha vontade era esperar os tais cem dias para falar qualquer coisa sobre o governo Bolsonaro. Quero morar na Barra da Tijuca se estiver mentindo. Mas até Ele há de convir que nunca antes na história de qualquer país se viu decolagem tão desastrada.

Quatro míseros dias bastaram para um festival de desencontros do governo empossado capaz de superar a semana seguinte dos congressistas eleitos em nome da renovação. Não que estes tenham parado de tumultuar – até muito ao contrário. Mas nada na história supera o governo Bolsonaro.

O auge, sem dúvida, foi ver funcionário de segundo escalão desmentindo o presidente da República. Em público. Caso do secretario especial da Receita Marcos Cintra, que sequer esquentou o assento. Marina Silva, segundo o Painel da Folha, meteu uma piada boa: o presidente foi desmentido pelo frentista do Posto Ipiranga.

Para não ficar tão chato antes do final do dia o ministro-chefe da Casa Civil tratou de também desmentir o chefe. Menos mal para a hierarquia. Oníx, além de primeiro escalão, é palaciano.

Mas ainda tivemos o governo desmentindo o Presidente sobre a proposta para a Previdência e entrevista louca do próprio Presidente sobre o acordo da Boeing com a Embraer, que fez as ações da empresa despencarem 5%. Nem vou entrar no mérito, que é para não piorar: tendo a concordar com Bolsonaro, que por sua vez discorda do que disse há um mês. Tá confuso demais.

Para além disso, Damares fora, vimos o filho zerodois participando de reunião de ministério como se fosse o bebê John-John sob a escrivaninha do Kennedy no Salão Oval, ministro da Educação nomeando para cuidar do ENEM um tipo que acusa professores de incentivar a pedofilia (!), ministério da Defesa desmentindo o “Chancelerado” das Relações Exteriores sobre a confirmação de que os Estados Unidos podem sim vir a instalar base militar no Brasil (hipótese levantada pelo próprio presidente Bolsonaro).

Impossível fazer qualquer comentário. Mas como a vontade de ajudar é mais forte do que eu, pego carona com o Presidente, que ainda ontem arranjou tempo para sancionar uma lei nacional sobre a erva-mate (governar é estabelecer prioridades)., para deixar um palpite.

A receita gaúcha para o chimarrão (Oníx deve confirmar) é a seguinte: depois de ajeitar a bomba, a erva-mate e a água na cuia, coloca-se um prego (grande) por decoração. Se alguém perguntar “pra que o prego?”, você responde “se quiser mexer, mexa no prego, mas não mexa na bomba”.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments