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Macarronada e coletes amarelos

Dois amigos queridos, Fabinho e Betinho, ambos falecidos, disputavam com doçura dotes culinários. Lá um belo dia Betinho convidou Fabinho para comer macarrão. Pasta à mesa, o convidado provou e aprovou com uma ressalva:

-       Olha, Betinho, ficou bom. Mas há um conflito geopolítico na receita.

O molho à base de tomates continha carne de boi moída, linguiça calabresa e champignons.

-       O bolonhês da carne moída odeia o calabrês da linguiça. A única chance de ambos se unirem é para matar o francês dos champignons, concluiu Fabinho.

Obviamente o inverso é verdadeiro, porque vale para todo mundo. Isto é, você quebra o pau em casa, mas se o vizinho mete a colher, é trégua e pau nele.

Hoje soubemos que os populistas italianos se manifestaram a favor dos coletes amarelos na França. Luigi di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas e vice-primeiro-ministro puxou o cordão e foi seguido por Matteo Salvini, prócer da Liga, partido da extrema-direita.

Paris reagiu. A ministra de Assuntos Europeus Nathalie Loiseau tuitou “A França tem cuidado para não dar lições à Itália. Salvini e Di Maio deveriam limpar a casa antes de falar”, e foi endossada pelo primeiro-ministro Édouard Phillipe numa entrevista na TV.

Palpite: lembrando das lições do saudoso Fabinho, os populistas italianos deram uma baita força ao presidente Emmanuel Macron.

PS: nas redes sociais postei esta crônica com a imagem de um espaguete à bolonhesa enfeitado com folhas de manjericão. Há alguns anos fui jurado do Paladar Estadão na blitz da lasanha. Em uma das visitas pela cidade fui a um restaurante acompanhado de um amigo italiano, também jurado. O chefe apresentou uma lasanha com um ramo de manjericão por enfeite, separado do molho. Mesmo assim o italiano ficou irado: – Em Bolonha nunca nasceu pé de manjericão!

 
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