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Gabrieéla, fala Gabriéla…

O processo contra Lula não é político – ou pelo menos não exclusivamente. Notadamente no caso do sítio em Atibaia, há provas para muito além do que o vulgar chama de batom na cueca para embasar a denúncia do MP.

Da adega aos pedalinhos, passando por e-mails e telefonemas, chegando a camisetas de futebol e remédios de manipulação com os nomes do ex-presidente e sua falecida senhora, é óbvio que os Lula da Silva usufruíam do lugar, comprovadamente reformado por empreiteiras enroladas no petrolão.

Sabendo disso, a defesa se sacode e concentra o argumento nos indícios de politização do caso, e a Lava Jato retribui:

1)   o então juiz Sérgio Moro levantou parte – e apenas a parte referente a Lula e Dilma – da delação de Antonio Palocci às vésperas da eleição;

2)   General Mourão disse que Moro esteve com PaGue tratando de sua ida para o ministério da Justiça no mesmo período, este que coincide com a publicação do relatório do COAF sobre o laranjal da família Bolsonaro, encontrado na operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato.

O ministro Moro tem obrigação de esclarecer cada ponto, até porque se furtando de faze-lo, desgasta sua imagem, atrapalha o governo e… favorece Lula.

Nesse teatro não tem ninguém bobo. Mas Lula é politicamente muito mais esperto do que Bolsonaro e Moro somados, como prova o resultado da eleição: de uma cela em Curitiba, elegeu todos os governadores do Nordeste e o PT fez a maior bancada da Câmara Federal.

Antes que alguém apaixonado discorde, rogo para que olhe a evolução de Bolsonaro, que parece continuar em campanha, buscando manter e ampliar os dividendos eleitorais que o antagonizar com Lula proporciona. Ainda soma êxitos com seu eleitorado, mas deveria se lembrar que assim alimenta Lula.

O risco dessa conta apaixonada, principalmente para quem ama Bolsonaro porque odeia Lula, é que se o governo atual continuar derrapando como nunca antes na história deste país se viu numa largada, aumentam as chances de vitória futura do lulismo.

Sobre a parte técnica das alegações finais da defesa, ouvi um amigo advogado criminalista sobre o trecho que pede prescrição da possível pena, dada a idade do réu e dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ainda que a estratégia mais comum de defesa seja levantar a lebre da prescrição só depois da sentença em primeira instância, até porque a pena em concreto é a base para o cálculo temporal, o doutor crê que, dada a politização do caso, os advogados de Lula optaram por se antecipar.

Se, conforme alega a defesa, o marco do do crime denunciado pelo MPF for 2004, quando da nomeação de Renato Duque e Paulo Roberto Costa na Petrobrás, considerando a idade de Lula, o crime prescreveu. Por outra, se o entendimento for que os Lula da Silva terem usufruído das benesses é o crime em si, a data pode variar até anteontem. Resta agora a juíza Gabriela Hardt falar.

No geral, o que mais impressiona na atualidade é como as mulheres vêm sendo tratadas. Lula sapateou no caixão de Dona Mariza, alegando que, mesmo que ela soubesse do rolo, e contando os laços afetivos, não significa envolvimento dele. Pior: Emílio Odebrecht, um cavalheiro, sustenta a narrativa em sua delação.

Do lado antagonista, o inédito discurso de primeira-dama em posse, em qualquer língua, somado ao uso de uma camiseta com a frase da juíza Hardt, multiplicado pelo envolvimento direto com o caso Queiroz, joga D. Michelle na arena. Na mesma linha foi a mulher do juiz Moro, pedindo nas redes que os brasileiros “parem de reclamar” do governo.

Eu, que sou velhinho, recebo isso com pé atrás. O Poderoso Chefão já ensinava a distinção entre soldados e civis, entre quem vai para “os colchões” e quem fica protegido em casa – homens ou mulheres. Tempos modernos?

 
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