Facebook YouTube Contato

Michelle e Jair ao mar

Queiroz é a herança maldita que Bolsonaro deixou para o primeiro filho. Quando Flávio nasceu, Fabrício já era amigo de Jair. Puxadinho eleitoral do pai, o varão teve que guardar o esqueleto em seu gabinete na mal-assombrada Alerj.

Flávio não é o único puxadinho. Seus irmãos Carlos e Eduardo também são; assim como Rogéria, mãe dos três, foi um dia. E o mais recente chama-se Hélio Bolsonaro, ou Hélio Negão, deputado federal eleito que trabalha como sombra de Jair.

A diferença entre Flávio e a família é nítida. Dos que falam, ele é o único que parece razoável – e todo mundo sabe como alguém razoável incomoda gente ensandecida. Desenhando, é aquele amigo que no quebra-pau faz o deixa-disso, em contraponto aos que entram dando voadora. Talvez isso explique o isolamento de Flávio na família.

Para gente razoável é constrangedor ter explicar o inexplicável, donde se compreende que Flávio tenha fugido da audiência no MP-RJ marcada para ontem, quinta-feira dez de janeiro. Assim como Queiroz, preferiu ir ao SBT. Porém, quando abriram-se as Portas da Esperança…

Flávio pontuou que não tem como saber  o que seus funcionários fazem fora do gabinete, ao passo que Jair já afirmou que sim, sabia dos rolos do amigo Queiroz.

Flávio foi além, dizendo que a soma dos salários de Queiroz e família chega perto do total detectado pelo COAF. Ora, o salário de Nathalia Queiroz ela recebia do gabinete de Jair, enquanto dava expediente em academia de ginástica no Rio de Janeiro, e transferia tudo para a conta do pai, Queiroz, cujos cheques foram parar na conta de Michelle Bolsonaro.

Desenhando de novo, o que está nas entrelinhas de Flávio, ato falho ou não, é o seguinte: Queiroz trabalhava em seu gabinete, onde dava expediente e recebia salário. Se ele tinha uma filha laranja no gabinete do Jair, que transferia dinheiro para a conta da Michelle, problema deles.

Sendo deputado estadual e senador eleito, Flávio goza da prerrogativa de marcar data e local para falar ao MP. Sendo presidente da República, Jair tem prerrogativas ainda mais amplas, inclusive a de só responder pelo que fez durante o mandato. Resta saber o que protegerá a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Lá em Minas Gerais a ex-primeira-dama Carolina Pimentel se viu enrolada na Justiça e seu marido, o ex-governador petista Fernando Pimentel, a fez secretaria de Estado para garantir foro privilegiado.

Michelle Bolsonaro talvez não tenha a mesma sorte. Se Jair topar abrir mais uma vaga na Esplanada para protege-la, ou mesmo substituir alguém – quiçá a famigerada Damares – além de piorar a situação política pode não resolver a jurídica, posto que entendimentos recentes restringem o foro privilegiado a atividades diretamente relacionadas ao cargo em exercício.

No navio dos Bolso, a fila na prancha está tão embolada quanto dentro do Planalto. Flávio deixou claro que não quer se molhar. Jair tem bom colete. E Michelle, sabe nadar?

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>