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Feliz ano novo! 2019 começa amanhã

No Data Coco ou em conversa com amigos, andei apurando o humor do mercado financeiro com Bolsonaro. Pode-se dizer que já estiveram mais contentes sem faltar com a verdade ou acrescentar qualquer novidade. Ora, se a Faria Lima quisesse estar ainda mais contente do que esteve no segundo semestre do ano passado, seria o caso de partir para a desinteligência.

O final de 2018 foi uma barbada para os investidores brasileiros. Lavaram a égua com água Perrier. Os bancos estão divulgando seus lucros e a CVM publicando os vencimentos dos executivos principais. Não sei a quantas anda a censura, mas talvez seja o caso de evitar falar dos números, sob risco de ser acusado de disseminação de pornografia.

Nessa chanchada financeira Paulo Guedes seria Paulo Cesar Pereio. Ídolo. O paletó desajustado do ministro, que circula desabotoado mesmo nos palácios em Brasília, está prestes a entrar na moda. Já tem gente fuçando os guardados em busca de relíquias anos 1980. E tome ombreira. Mas o anfitrião em Davos não desabotoava o jaquetão nem quando sentado, argumentei. Qual anfitrião! De lá só anotaram o inglês fluente com sotaque de Chicago.

PaGue personifica o bom-humor do mercado. Estão todos com ele e por ele desde quando Bolsonaro sofreu o atentado e se consolidou nas pesquisas.

Sobre o primeiro mês do governo eu costumo responder mais do que perguntar. Digo o óbvio, que nunca vimos tal maluquice, que a quantidade e seriedade das crises supera o que seria razoável para um mandato inteiro, e que nessa toada não sei até onde a popularidade, fundamental para passar a Previdência, resistirá.

Para meu espanto, “o mercado” relativiza. Diz que os tropeços são próprios de qualquer começo e que tudo se ajeita. Seguem inabaláveis e confiantes. Pudera. Com a sorte que estão… Ou alguém já viu a maior mineradora do país “quebrar” no dia em que era feriado justo na cidade onde fica a Bolsa?

Fato 1: a Vale não quebrou nem vai quebrar. Fato 2: o mercado fechado por feriado naquele 25 de Janeiro serviu como barreira de contenção para tragédias financeiras. Quem tinha ações amanheceu na segunda-feira pronto para liquidar posição e o fez. Fato 3: o mercado é assim, frio, calculista, crente de conveniência. Seus players sabem do que se trata o governo Bolsonaro tanto quanto sabiam dos riscos da Vale. Se a sirene tocar, sairão em bloco. Mas enquanto estão ganhando, e com tamanha sorte, prevalece o deixa estar.

Se você está lendo no celular, senta que agora vai começar. Não esta crônica, que já vai longe, mas o governo.

A bagunça desses trinta dias iniciais foi só o aquecimento. Todos os problemas causados nasceram dentro do governo, do partido ou da família do presidente.

Amanhã abrem Legislativo e Judiciário. Do Supremo aguarda-se a resposta do ministro Marco Aurélio sobre o caso Flávio Bolsonaro e, nas instâncias inferiores, o Japonês da Federal ou equivalente é pesadelo constante para a turma que ficou sem mandato/foro.

No Legislativo será briga de foice. Se a diplomação dos chamados quadros de renovação acabou em pancadaria, aguardemos cenas fortes dessa turma na posse. Eleição para as mesas, vagas em comissões, lideranças, troca-troca por manutenção de mandato de quem se elegeu por partidos que não superaram a cláusula de barreira. E a demanda das redes sociais por conteúdos lacradores de seus representantes. Beco estreito em noite sem lua.

Na Câmara Rodrigo Maia deve ser reeleito pilotando uma geringonça à moda lusitana. Dadas as circunstâncias, é algo positivo. Caso sério é o do líder do governo, major Vitor Hugo, 41 anos, deputado de primeira viagem. Ou do articulador político Leonardo Quintão, que derrotado nas eleições arranjou guarida na Casa Civil. Conhecido pela liderança do grupo que defende a agenda da mineração, o mineiro terá que escolher entre trabalhar pelo governo e defender os eternos aliados; entre buscar votos para a reforma da Previdência e batalhar contra uma provável CPI da Lama.

No Senado chegaram a falar em nove candidaturas, ou 10% de todos os senadores concorrendo. Mas nem a soma de todas elas teve mais atenção do que a de Renan Calheiros, impulsionada por amor e medo; medo e ódio. Consta que uma senadora experiente, cansada da militância “Fora Renan”, chegou a escrever em um grupo de WhatsApp: Voto Renan e vá pra puta que o pariu!

O Planalto chegou a chuchar um nome para a Presidência do Congresso, mas não rolou. Primeiro porque o articulador era Onyx Lorenzoni, notório pouca-prática. Depois porque não se fala em corda em casa de enforcado e todos sabemos da situação do senador eleito Flávio Bolsonaro. É aí que mora a encrenca. Entre os bem cotados, Simone Tebet e Tasso Jereissati não enfrentariam a opinião pública para salvar o 01. O único capaz de proteger o varão dos Bolso no Salão Azul é Renan. E a alternativa mais alinhada ao bolsonarismo, Álvaro Dias, provavelmente jogaria mais lama sobre Rio das Pedras. Aliás, o senador paranaense está de malas prontas para o PRBT, partido que garantiu a vice ao general Mourão.

ATUALIZAÇÃO – Vale repetir a grande novidade para a próxima legislatura no Senado: o gabinete 82. Líder de todos os governos recentes e relator de 80% das medidas provisórias pós-redemocratização, o senador Romero Jucá não foi reeleito, mas abrirá uma consultoria em Brasília. Continuará sendo tratado por senador, porém, sem as limitações do posto, será ainda mais influente e poderoso.

 
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