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Posse na Assembleia do Rio foi a mais importante do Brasil

Ao se ver sem assunto ou agenda positiva, a BolsoFamília recorre ao intestino nacional, perguntando quem tentou matar Jair Bolsonaro, ou inflamando manifestações odientas nas redes sociais, vinda de gente sórdida que lamenta, por exemplo, o fato de Adélio não ter “girado a faca”.

Criaram contas específicas para esparramar esse tipo de comentário e a BolsoFamília faz qüestão de recomendar que sigam as centrais da bílis. É de amargar.

Gente esclarecida compra o pacote sem abrir ou ao menos sacudir a fim de pistas sobre o que vem embalado. Dizem: a imprensa e a esquerda só querem saber quem matou Marielle, mas não falam sobre quem tentou matar Bolsonaro.

Adélio estar preso, a Polícia Federal ter concluído um inquérito afirmando que o psicopata agiu sozinho, e Bolsonaro estar vivo e convalescendo bem, com direito a flexões de braço, viagem internacional e cantoria no Morumbi, aparentemente não contam, como parece não contar o fato da Polícia Federal, já sob Sérgio Moro, seguir trabalhando em uma segunda investigação para eliminar qualquer dúvida que reste sobre o atentado.

Marielle e Anderson estarem mortos e após onze meses o inquérito seguir inconcluso, parece não escandalizar muita gente. Até pelo contrário, em campanha eleitoral no Rio de Janeiro, três candidatos, incluindo o governador eleito, vandalizaram uma placa que homenageava a memória da vereadora assassinada.

Isso tudo para dizer que, das posses parlamentares e eleições para mesas legislativas Brasil afora, a da Assembleia do Rio de Janeiro foi a mais importante do país, emparelhada com as do Congresso Nacional.

Na Alerj não consta dedaço na Mesa, pasta furtada, voto extra ou iminência de duelo físico. Porém teve ausência de seis deputados que, presos, foram diplomados por procuração em janeiro, mas não puderam tomar posse no um de fevereiro.

No dia dois de fevereiro foi eleita a Mesa em chapa única, encabeçada pelo petista André Ceciliano. O PSL, que forma a maior bancada com uma dúzia de deputados, não conseguiu um décimo-terceiro para registrar a chapa, número mínimo para disputar. E em maioria, se absteve de votar, sinalizando um armistício com o PT.

Explica-se: tanto Ceciliano do PT, quanto o PSL, estão constrangidos pela operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato que investiga movimentações atípicas detectadas pelo COAF nas contas de deputados e seus assessores. R$ 45 milhões só no gabinete de Ceciliano.

No caso do PSL, com o agravante dos implicados serem seu presidente estadual, senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e Michelle Bolsonaro, respectivamente filho zeroum, amigo de fé e mulher atual do presidente da República.

Pior: no final de janeiro a operação Os Intocáveis prendeu a cúpula do Escritório do Crime, grupo de mercenários gestado na milícia de Rio das Pedras, que por anos copulou com a BolsoFamília, com seus chefes recebendo homenagens de Estado propostas por Flávio Bolsonaro – senador mais votado em 74 das 76 sessões de Rio das Pedras (O Antagonista) –, abrigando Fabrício Queiroz no sumiço do fim de 2018, recebendo elogios do então deputado Jair Bolsonaro na tribuna da Câmara Federal.

Das imediações de Rio das Pedras saiu o carro com os assassinos de Marielle e Anderson.

Em seu discurso de posse, o presidente da Alerj André Ceciliano afirmou querer que as investigações da Furna da Onça prossigam. Flávio Bolsonaro diz o mesmo, apesar da tentativa de se esconder sob as togas do STF. Com abrigo negado pelo ministro Marco Aurélio Mello, voltou ao Rio de Janeiro.

Impossível prever como será a simbiose entre petistas e bolsonaristas na Guanabara. Quanto pesa ser investigado junto? Quanto vale o gesto de oito abstenções do PSL a favor do PT?

Dos setenta atuais deputados estaduais fluminenses, onze têm assessores investigados na Furna da Onça. Outros onze não foram reeleitos ou arranjaram outro mandato, caso do zeroum.

De qualquer maneira é pouca gente para barrar uma CPI que interessa a todos os brasileiros e, em especial, ao PSOL e ao PT, partidos onde a estratégia nacional prevalece sobre a local, e em ambos cenários são oposição ao bolsonarismo.

A importância da eleição da Mesa na Alerj mora nessa provável CPI sobre fatos novos envolvendo milicianos e suas relações com a BolsoFamília. Há motivos para convocar para depoimento Fabrício Queiroz. Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.

É pega pra capar. Como diz o bordão miliciano de Tropa de Elite, “cada cachorro que lamba a sua caceta”.

 
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