Facebook YouTube Contato

Getúlio e gente de saia

O folclore político conta que Getúlio Vargas, na intimidade, advertia os amigos mais imprudentes: com gente de saia – juiz, mulher e padre – não se briga.

Outro político que é grande frasista, e conhecedor dos escaninhos menos iluminados de Brasília – com trocadilho –, gosta da máxima e já se valeu dela para advertir outros inquilinos do Executivo. Chama-se Roberto Jefferson e tem aconselhado e defendido o governo Bolsonaro diariamente no twitter. Mas até agora não postou a lição. Está em tempo.

Juiz

Um dos filhos do presidente da República já disse que para fechar o Supremo bastava “um soldado e um cabo”. Outro filho, o varão, correu para o mesmo Supremo quando seu calo apertou na primeira instância. E pelo menos dois atritos entre o chefe do Judiciário, Dias Toffoli, e o Palácio do Planalto, já foram contabilizados depois que o ano “de direito” começou – noves fora os ataques históricos dos bolsonaristas à pessoa do presidente do STF.

Mulher

Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, em entrevista à repórter Camila Matoso da Folha de São Paulo, deveria responder sobre os R$ 400 mil enviados do diretório nacional para uma candidata a deputada federal de seu Pernambuco, dos quais R$ 380 mil foram gastos em uma só gráfica, que por sinal tem endereço onde funciona uma funilaria.

A candidata Maria de Lourdes Paixão, que é secretária do PSL, acabou o pleito com 274 votos, e agora, meses depois, diz que não se lembra de tudo. Igual a todo mundo, merece um voto de confiança, da mesma maneira que os indícios de ter sido candidata laranja merecem investigação.

Bivar deveria ter respondido à questões objetivas da reportagem, mas teve uma ideia e atacou de editor: “Uma reportagem bonita da Folha era entrar no lado psíquico da vocação partidária.”  E emendou: “A política não é muito da mulher. Eu não sou psicólogo, mas eu sei disso.”

A favor do presidente do PSL, registro que ele fez ressalvas, nominando algumas correligionárias. Não desfez o mal-estar, mas sacudiu o debate sobre cotas, financiamento público de campanha e seus esquemas entre as deputadas da legenda.

Padre

Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, comprou briga com a Igreja Católica. À uma série de reportagens do Estadão, que revelaram a intenção governo Bolsonaro de infiltrar espiões da Abin nas reuniões de preparação para o Sínodo sobre a Amazônia, previsto para outubro, em Roma, o general insinuou que eventuais posições contrárias dos bispos às medidas do governo poderiam significar ameaça à soberania nacional.

É grave. Se confirmadas a espionagem e a paranoia, ninguém mais estará seguro. Qualquer entidade, partidária, acadêmica, religiosa etc, estará sujeita à infiltração de agentes federais.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>