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Ironias históricas

Quando presidente, Lula avançou com diversas medidas de combate à corrupção que, ironicamente, vieram a permitir investigação, julgamento e prisão de quadros históricos do Partido dos Trabalhadores e seus comparsas, incluindo ele próprio.

Portal da Transparência, Reforma do Judiciário com a criação do CNMP e CNJ (“é preciso abrir a caixa-preta, dizia Lula), adesão à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, lei da Ficha-limpa, lei de acesso à informação, lei de lavagem de dinheiro, lei anticorrupção que punia empresas corruptoras.

Mais tarde, Dilma viria a se arrepender por ter assinado a lei da delação premiada.

A lista foi lembrada há um ano pelo desembargador Leandro Paulsen, revisor da ação no julgamento de apelação da primeira condenação de Lula. O site jurídico Migalhas preparou um resumo.

Não são casos isolados. O desembargador Paulsen lembrou que o presidente americano Richard Nixon, pego no caso Watergate, foi justamente o criador das leis que permitiram a investigação. E emendou: a lei é para todos.

Hoje, com paladinos de outrora calados, sumidos, perdoando colegas que se desculparam, ou tentando abrigo sob o foro privilegiado que condenavam, busco consolação em gente boa que, escandalizada com as revelações mais recentes, protesta indignada e cobra coerência.

Durante as últimas eleições, o processo contra Geraldo Alckmin andou de lado, mas andou. Assim como o de José Serra. Beto Richa e Marconi Perillo foram presos. Os quatro foram governadores pelo PSDB.

O então juiz Sérgio Moro levantou o sigilo de parte delação de Antonio Palocci  – e apenas a parte em que ele citava Lula e Dilma – na semana da eleição. Em setembro de 2018, Fernando Haddad, candidato do PT, foi denunciado pelo MP por corrupção e lavagem de dinheiro.

Beleza. De novo, a lei é para todos.

Hoje soubemos pela Folha que a investigação do MP RJ sobre Fabrício Queiroz, amigo de Bolsonaro que trabalhava com seu filho ZeroUm na Alerj, desacelerou durante o período eleitoral.

O relatório do COAF citando Queiroz e outros 74 funcionários da Alerj, chegou ao MP RJ em três de janeiro de 2018. Até a eleição do senador Flávio Bolsonaro, o procedimento juntou 37 páginas. De novembro até cinco de fevereiro de 2019, somaram-se mais 300, além de um pen-drive e um DVD.

A favor do MP RJ, diga-se que vem trabalhando firme, com prisões já no começo do ano passado de gente metida em rolos semelhantes, inclusive deputados e milicianos ligados aos Bolsonaro. E que o promotor Cláudio Calo, responsável pelos relatórios adormecidos em 2018 e declaradamente simpático à BolsoFamília, se declarou suspeito quando o processo caiu em seu colo novamente.

Porém, não custa perguntar: a lei é para todos?

Encerro admitindo que me dispersei. A ironia que me fez lembrar os casos no começo da crônica é sobre a disposição do governo Bolsonaro em comprar equipamentos de eletrochoque para cuidar da saúde mental dos brasileiros. Há argumentos contra e a favor. Mas o que eu queria dizer é que, dadas as declarações delirantes de membros do primeiro escalão do governo, é alta a chance de vermos ministros com  eletrodos nas têmporas em breve.

 
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