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Entre festa e desavença, a escolha do brasileiro é óbvia

Milhões de pessoas nas ruas. Muita chuva, muita cachaça, pouco sol, pouca roupa. E muito, muito pouca confusão. Entre festa e desavença, a escolha do brasileiro é óbvia.

Nas ruas ou na avenida, com organização mínima e quase todo mundo bêbado, uma brincadeira gigantesca acontece quase que espontaneamente. Bilhões de reais são movimentados democraticamente, com oportunidades acessíveis da grande indústria ao camelô, que na maioria das vezes trabalham aliados.

Se o saldo do carnaval não é suficiente para provar que alegria e cultura vencem a violência, não sei o que mais poderia ajudar.

Ainda tem brincadeira pela frente no Rio, em Salvador, em São Paulo e tantas outras cidades. Tempo suficiente para o país limpar a sujeira causada pela autoridade máxima do país, que tentou estragar a festa e conseguiu prejudicar tanto nossa imagem, com dois vídeos lamentáveis, um mentindo sobre a Lei Rouanet, outro escatológico que nem no sonho mais asqueroso do pior tarado representaria o carnaval brasileiro.

Comportamento curioso. Li na BBC que a Austrália incluiu algumas aves na lista de animais perigosos. A cobras, aranhas e águas-vivas venenosas, crocodilos e, creio, o tubarão branco, somaram-se três espécies de aves de rapina que espalham incêndios florestais para tornar suas presas mais vulneráveis. Com o bico ou as garras elas apanham um galho em chamas e lançam sobre uma parte da floresta que estava em paz, iniciando o incêndio.

Fosse uma fábula, serviria para o comportamento do presidente Jair Bolsonaro e sua família. Da maneira mais sórdida, atacam de velório de criança à festa popular. Incendeiam o país porque sabem que gente como eles, gente de rapina, só prospera em terra arrasada.

A parte boa vem de outra fábula de passarinho, aquele que, sozinho, de gota em gota tenta apagar o incêndio e, ridicularizado pelos demais animais, responde sereno: cada um faz o que pode.

O carnaval brasileiro mostra que são muitos esses passarinhos a fim de proteger a imensa e diversa mata brasileira. Gente cansada de guerra que quer brincar, confraternizar, se misturar, beijar na boca, ser feliz. Prova que as aves de rapina, as aves agourentas, não vão prevalecer.

Que o espírito de paz desses tantos pássaros bombeiros permaneça vivo para além dos três ou dos trinta dias do carnaval. Que viva feliz os 365 dias do ano, ajudando a festa vencer a violência. Mais alegria, água fresca e Mangueira. Menos ódio, urina e Bolsonaro.

 
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