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A Lava Jato paulista promete ser Lava Jumbo

Acho que já contei aqui, mas é oportuno repetir o caso. Um amigo gostava de brincar com o nome do Baixinho, dizendo que Romario foi batizado quando seu pai viu o placar no Galeão anunciando um voo Roma/Rio. Ainda que tudo nos leve a crer que a origem do nome tem a ver com romaria, a sacada é boa.

A lembrança é oportuna porque a segunda temporada de Suburra, no Netflix, estreou simultânea à igreja Católica nas suítes fluminenses da operação Lava Jato.

Suburra é o vale romano onde vale tudo (perdão, não resisti). Lá se encontram as águas da Cidade Eterna e também máfia, política, polícia, prostitutas, mercado, aristocratas, ONGs e, claro, a igreja. Impossível não notar a semelhança com o Rio.

Com quatro governadores, membros do Tribunal de Contas, policiais, executivos de multinacionais publicas e privadas, universidades, presidente da Assembleia Legislativa e dezenas de deputados estaduais presos ou seriamente envolvidos em corrupção e/ou milícias, incluindo o filho varão, um amigo de décadas e a mulher do presidente Bolsonaro, além de um assessor correligionário do juiz-governador Witzel, somaram-se gente de confiança dos cardeais da Arquidiocese.

Porém o importante no paralelo não é Suburra ou o Rio, mas a origem das águas, de onde vêm, se brotam ali mesmo ou as duas coisas depois de tanto tempo. O caso de Roma parece atávico. O do Rio, idem. É difícil concluir que teriam chegado tão longe sem anuência social.

Outra coisa que me intriga é o efeito “vale”. Suburra e o Rio de Janeiro, cercados de montanhas, seriam diferentes de outros lugares ou a diferença estaria na concentração, que socialmente repetiria o efeito geográfico?

Depois de muito tempo a Lava Jato alcança São Paulo, com o primeiro processo concluído. Com boa vontade, pode-se atribuir a demora ao tamanho do estado paulista, devido as águas do Tietê, que invés de se concentrarem, espraiam-se continente adentro.

Mas força da nascente impressiona. Paulo Preto, apontado como operador do PSDB na DERSA, foi condenado a 145 anos de cadeia, além de outras pessoas, como sua própria filha, Tatiana Cremonini, que pegou outros 24 anos de pena. Tudo por conta de uma só obra, o Rodoanel. Aliás, só o trecho sul da obra. Pelo olho d’água podemos imaginar a pororoca que será na foz. Se a terra bandeirante é pujante em tudo, por que haveria de não ser em corrupção?

Os envolvidos no processo também provocam vertigem. Se no Rio as autoridades enroladas ficaram no plano estadual, São Paulo estreia com o Ministério Público pedindo a suspeição de um ministro do Supremo, Gilmar Mendes, por conta da troca de mensagens nada republicanas deste com o ex-ministro Raul Jungman e o ex-senador e ex-presidente da Investe SP do atual governo João Doria, Aloysio Nunes Ferreira, gravemente envolvido com Paulo Preto.

Senhoras e senhores, preparem-se para o impacto. A pizza pode ter chegado antes em São Paulo do que em Roma, mas dessa vez parece que não vai assar. A Lava Jato paulista promete ser Lava Jumbo.

 
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