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3 notas: conversa com o “mercado”, General Mourão e Sargento Garcia

Conversa com o “mercado”

Ainda sob a rebordosa da urina erótica do carnaval do “Micto” (obrigado, Fefo), um amigo telefona para assuntar. Perto de completar oitenta carnavais, recusa-se a usar redes sociais, mas ultimamente tem pedido à secretária para fotografar e enviar por e-mail os tuítes do presidente e prole. Afirmou que, apesar das raríssimas restrições que encontrou pela vida, nunca antes na história deste ou de outro país viu coisa parecida com o vídeo publicado por Jair Bolsonaro. Aliás, foto e respectiva descrição nos jornais, porque o vídeo se recusou a assistir.

Para além da riqueza financeira, em grande parte herdada, mas considerando tantas extravagancias inacreditavelmente mantida e até ampliada, meu amigo hoje se dedica a alguns investimentos, que olhados de longe repetem conceitualmente sua vida pessoal. Digo, para todos os efeitos é conservador, mas reserva um quinhão para aventuras. Afirma que “adrenalina ajuda a manter a forma”.

De seu ponto de vista, a maioria dos rolos e envolvendo o governo federal são marginais. Quase nada o abala, incluindo Venezuela, ministros malucos e laranjais. Suas preocupações são duas: composição das comissões no Congresso e as emoções da BolsoFamília.

A lógica é: sua geração, “a velha guarda”, sabe da importância da primeira; já a “jovem guarda”, turma que está no dia a dia da operação, é sensível demais à segunda. Diz ele: Juventude e velocidade misturadas geralmente acabam em acidente, e hoje é essa molecada com esses telefones do diabo acelerando nas duas pontas, na Câmara e na mesa (de operação dos bancos). E emenda uma metáfora de corrida de carro: O presidente pilota o “pace car”, mas parece querer marcar a volta mais rápida.

Perguntei se tinha elogios ao governo e ele devolveu com outra pergunta: Esse Paulo Uebel, você conhece bem? E rindo: Levantei aqui e vi que é Spencer, deve ser parente do Churchill.

Respondi que conheço “de chapéu” mas também simpatizo, guardadas algumas divergências. Passou pela prefeitura do João Doria com serviços prestados e sem respingo de cal, e mantém boa performance no governo Bolsonaro, com exposição e serenidade, se distinguindo dos malucos. Convém prestar atenção.

General Mourão

O general Mourão deveria se preservar. Evoluía bem em seus palpites até que resolveu comentar a declaração de Bolsonaro sobre o papel das Forças Armadas na sustentação da democracia. Citar o exemplo venezuelano foi um tiro de cano duplo no pé. Primeiro porque compromete a possibilidade de diálogo entre militares de lá e de cá por uma solução pacífica. Depois porque pode parecer ameaça ao próprio governo, ou no mínimo alimentar a paranoia dos que navegam orientados pelo astrólogo da Virgínia. Quem já expulsou Bolsonaro da tropa uma vez…

Sargento Garcia

Alexandre Garcia costumava ser bom jornalista. Agora, trabalhando voluntariamente e sem editor, perdeu a mão.

Ainda sobre a ideia deturpada que Bolsonaro mostrou ter sobre o papel das Forças Armadas na democracia, o novo Sargento Garcia atacou de revisionista histórico deturpando os fatos sobre a relação das FA com a institucionalidade.

Pretendendo dar aula de história, “se esqueceu” que os militares defenderam a ditadura Vargas em 1932 e que mais tarde o tenente Gregório Fortunato foi o pivô do suicídio de Getúlio, chamou o golpe de 1964 de “socorro aos civis para não virar Cuba”, e o general Figueiredo ter deixado a Presidência pela porta dos fundos para ele foi “devolução planejada”.

Horas depois reclamou, com razão, dos impostos pagos na compra de equipamentos para seu canal no YouTube. O preço total indica coisa fina. Já o conteúdo anunciado parece ser a velha estratégia de espelhamento para estepe ou eventual neutralização. Desenhando, OakLavo está prestes (sem trocadilho com O Velho, também militar) a ganhar um concorrente.

 
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