Facebook YouTube Contato

Água no chope da educação ou chamem as freiras

Até 2014 empresas podiam botar dinheiro em campanhas eleitorais. A Ambev pingou em dezenove partidos diferentes, ajudando eleger 76 deputados. Pragmatismo inconsequente é o melhor adjetivo que se pode fazer ao método.

Mas como tudo sempre pode piorar, agora temos os discípulos programáticos de Jorge Paulo Lemann, que por meio da Fundação Estudar ajudou na formação de alguns eleitos nas últimas eleições.

Há gente boa no meio, diga-se. A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) é um exemplo. É um colosso. Olho nela. Vale a pena.

Já o deputado estadual Daniel José leva para a Alesp o pior da escolinha do professor Lemann, que já atrapalhou muito a educação privada e agora ataca a rede pública.

Como é sabido, assim que passou a reforma trabalhista, a universidade Estácio de Sá, cuja gestão tem o DNA da Ambev, botou 1.200 professores no olho da rua. Chaim Zaher, um dos mais destacados investidores do setor, que chegou a ter 30% da Estácio, condenou publicamente o passaralho.

Em depoimento ao repórter Carlos Petrocilo, da Folha, o jovem deputado do partido Novo disse ser preciso um “pente fino” na Educação paulista e propôs: “vamos separar o joio do trigo, tem professor que vai dar aula bêbado”.

A proposta Daniel José é demitir 80 mil professores: “A rede estadual tem 200 mil professores, mas funciona tranquilamente com 120 mil. O professor usa 30% do seu tempo para preparar aula, está mais preocupado em assistir Sessão da Tarde, nem é Netflix.” Se é verdade, por que não ampliar as possibilidades da rede?

O modelo Ambev de administração vem sendo contestado no Brasil e no mundo. Segundo o site de finanças Infomoney, as empresas 3G, aquelas do “Sonho Grande”, se transformaram num pesadelo que perdeu 92 bilhões de reais em valor de mercado em doze meses.

A causa é sabida: botando o lucro acima de tudo, acabaram com a qualidade dos produtos e os consumidores perceberam. O prejuízo referente à destruição de marcas históricas como Brahma, Artarctica, Skol, Bohemia, Original, Serra Malte, Heinz, Burger King ainda não pôde ser valorado.

Se o modelo Ambev não serve para algo de curto prazo, como cerveja, imagino o que pode fazer com a educação, imperiosamente dependente do longo prazo.

Daniel José nasceu pobre mas estudou em escola privada graças ao patrocínio de uma tia paterna, a freira Benedita. Tem só 29 anos mas já inspira saudosismo do tempo em que se podia contar com freiras para pagar boa escola e fazer boa cerveja.

 

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments