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O pio da graúna que vai matar o tucano e chocar o PL

Se pelo dedo se conhece o gigante, a Lava Jumbo, versão paulista da Lava Jato, que decolou com 145 anos de cana para Paulo Preto mais 24 para sua filha, promete ser um dos maiores desastres políticos-partidários da história. Basta a graúna acertar os termos do pio sobre o tucano.

Tanto faz se graúna ou tucano, no universo partidário brasileiro, podemos cantar o passaredo inteiro. Bodoque e pedra há para todos. A diferença principal do tucano é a proporção, que obedece ao tempo de governo sobre o segundo orçamento do país, sozinho equivalente a duas argentinas. No mais é igual. Tem bico e pena como qualquer outro pássaro, só que maior e mais vistoso.

A segunda diferença que destaca o PSDB dos demais partidos é não aprender com os próprios erros. Pior, muito pior do que ficar em cima do muro, foi pular a cerca sem qualquer pudor.

Se comparado ao DEM, que comeu o pão que o diabo amassou com o rabo no auge do lulismo, mas manteve a posição, fica ainda mais claro. A velha Arena quase morreu de fome, mas o que não mata, fortalece, e hoje está aí, com a presidência da Câmara, do Senado, maior quantidade de ministérios – incluindo a Casa Civil – e, por consequência, já começa receber telefonemas afáveis até do destrambelhado presidente Bolsonaro.

Olhar o PT também ajuda. Com o Lula preso, babaca, fez a maior bancada de deputados federais, o maior número de governadores e disputou o segundo turno para a Presidência. Parece aqueles carvalhos portugueses centenários que, ante incêndios devastadores, sobreviveram e ainda protegeram o entorno.

Para concluir com um terceiro e universal exemplo, Churchill foi intransigente contra Hitler desde o começo. Lutou contra interesses poderosos, políticos, diplomáticos, empresariais, culturais. Sofreu muito. Sangrou, suou, chorou. Mas venceu.

Casos de corrupção, convém insistir, têm para todo gosto – até para o inglês. O que salvou Churchill, DEM e PT foi a defesa de seus princípios e crenças, certos ou errados. Quando o pêndulo histórico voltou, pôde encontra-los em seus lugares. Já o tucano, cadê?

Tudo isso para dar um palpite. João Doria, Bruno Araújo, família Macris e companhia não querem tomar o PSDB. O resultado de 2018, somado ao horizonte da Lava Jumbo, deixa muito claro que pouco poderá ser aproveitado em 2020 e após. A ideia deles é criar uma narrativa que justifique a mudança para outra legenda.

Para isso, contam com Gilberto Kassab, político incansável que já fez o PSD e só não fez o PL porque o então PMDB, aliado ao PT, não deixou. Mas o trato está na gaveta.

A formula será a mesma: pegar uma marca antiga, dar uma recauchutada, pendurar um presunto na porta e esperar a cambada chegar. Deu certo com o PSD porque tinha a prefeitura paulistana por presunto, dará certo com o PL porque há o estado de SP, presunto ainda mais gordo. João Doria, como publicitário, sabe o valor das marcas e já faz tudo para dizer que é PL, ou Partido Liberal, só faltando o brochinho.

A chance de funcionar é enorme. 2018, Lava Jumbo, onda liberal, PSL vulnerável com um bando em busca de identidade, janela do troca-troca institucionalizada em ano eleitoral. Aguardemos.

 
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