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Ainda sobre o FHC de domingo

Ainda sobre a entrevista do presidente FHC no Estadão de domingo, tenho que dar razão a ele quando diz que a velocidade da comunicação atual prejudica a reflexão. Eu mesmo comentei só um ponto sem dizer das boas coisas que li.

Por outro lado, demorar para se posicionar também pode ser imprudente, como mostram as críticas que vem recebendo por só agora, muito depois das eleições, e ainda antes dos cem dias, externar que o governo Bolsonaro vai mal.

Um amigo, simpatizante da social democracia e portanto desabrigado político no Brasil de hoje, comentou estar impressionado com a baixa repercussão da entrevista. Do pouco que se falou, até as meias abacate e o sapatênis tiveram mais atenção do que o texto. Uma pena, porque foi um belo momento entre repórter e homem público.

FHC é professor e ensina a importância de símbolos. Cita o Mandela, que se comunicava mesmo antes de abrir a boca. Cita o Lula, que independente da opinião de cada um, também teve um significado – acrescento que continua tendo, contra e a favor. E poderia ter citado o Bolsonaro, também repleto de significado.

Um jeito simples para saber se uma figura é significativa e o que ela transmite é gastar dez minutos: nove para sintonizar o mínimo de imparcialidade e um para anotar o sentimento despertado. Esperança, medo, segurança, ódio, amor, paz, violência. Se demorar mais que isso, provavelmente não significa nada.

Como todo professor, no final da entrevista FHC inverte o esquema e, desenhando uma imagem, torna o leitor agente ativo do aprendizado. Conta que aos domingos aproveita a Paulista Aberta, elogia a harmonia e a pluralidade social com que a novidade do usufruir a cidade se desenrola. Para quem mora em São Paulo é impossível não relacionar a imagem a um nome.

E que delícia o tapa com luva de pelica na classe média alta, que já foi sua eleitora, aproveitou tanto a estabilização da economia, e hoje, sufocada, se revolta contra seu legado. Bastou lembrar que há cinquenta anos muito provavelmente essas pessoas pertenciam a uma classe economicamente inferior. Traduzindo, chamou geral de noveau riche.

Mas não gratuitamente e muito menos por vingança. A mensagem é: a vida está dura, entendo, mas se você e seus ascendentes tiveram a oportunidade de subir na vida, pensem agora nos tantos que precisam fazer o mesmo percurso. É para o bem de cada um de nós.

 
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