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Outono

Em São Paulo, quem saiu pelas ruas tem certeza: é outono.

Mas quem estiver olhando para alguma tela, seja televisão, computador, tablete ou telefone esperto, poderá confirmar: é outono.

Se pelas ruas caem folhas, nas telas vemos árvores de muitas décadas tombando. Não, não são as mais de três mil das poucas que restam em São Paulo – estas também se vê pelas ruas.

Falo de velhas árvores que por muito tempo pareceram inabaláveis. Estão no texto anterior. Se presidente da República preso era inimaginável, já temos dois.

Mas não só elas. O atual presidente da República, eleito para mudar issodaí, também experimenta a estação da queda. Sua popularidade e o índice de confiança no governo entraram em parafuso precocemente, antes dos cem dias.

Popularidade é algo que se gasta avançando em medidas impopulares mas necessárias, mais ou menos como obrigar a criança a comer verdura, estudar, escovar os dentes. Reconhecimento, só a prazo.

Até agora, Bolsonaro não deu um bom passo significativo. A criança não comeu espinafre, não aprendeu tabuada e os dentes foram esquecidos por falta de motivo para sorrir.

Pior: ensinou golden shower, milícia, fantasmas e laranjais. José Roberto Toledo, especialista em pesquisas, anotou na Piauí que estes, somados a nenhuma medida real para diminuição da violência, são os motivos do derretimento. Segundo o Ibope, em dois meses Bolsonaro perdeu três de cada dez apoiadores.

No pódio da impopularidade, 34% de ótimo e bom é a pior largada de um governo já registrada. O mesmo Toledo lembra que José Sarney levou dois anos para chegar ao mesmo índice, e Fernando Collor precisou de nove meses e do confisco da poupança para descer a nível equivalente.

Bruno Soller, também especialista em pesquisas, notou que a queda mais acentuada foi na classe C2, concentrada nas periferias das grandes cidades e talvez a base do chamado voto volátil (swing vote), determinante para a eleição de Bolsonaro. É o estrato sociais que mais sofre com milícias e insegurança.

A quem supõe que as folhas do outono hão de adubar o jardim do Planalto, passando a mensagem que a mamata acabou, sugiro pensar de novo.

Prender Michel Temer e Moreira Franco parando o trânsito, em ações midiáticas até então inéditas nos cinco anos de Lava Jato, pode parecer demonstração de força da Lava Jato, mas no fim mostrará fraqueza e reforçará a impressão de vingança de Sérgio Moro contra Rodrigo Maia, genro de Moreira e dono da agenda da Câmara, que ontem subiu o tom contra os excessos do ministro.

E se tem uma coisa que une Moro, Temer e Bolsonaro é o ano de 2018. Enquanto a Lava Jato de Moro de desdobrava no Rio de Janeiro, o governo Temer mantinha intervenção federal militar no estado e Bolsonaro corria para a Presidência.

Mas a Lava Jato e a intervenção militar por algum motivo não viram as rachadinhas do filho ZeroUm ou a proximidade da BolsoFamília com milicianos. Governadores, deputados e milicianos foram presos às pencas em 2018. Mas Moro e Temer não repararam nos Bolsonaro.

 
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