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A reforma dos militares e o New Deal

Em números, a reforma dos militares é um traque. Ao atrelar a reestruturação da carreira à nova previdência, o saldo apresentado é de insignificantes R$10 bi numa década, sem contar que as benesses vêm à vista e o “sacrifício”, a prazo.

Já em imagem, é um míssil disparado contra a Nova Previdência, posto que destrói o argumento de que  todos teriam que se sacrificar.

Como explicar a um idoso que, para receber humilhantes R$400 reais em BPC, ele ainda teria que passar pela humilhação extra de provar a um burocrata que além de velho, é pobre, enquanto às viúvas e filhas “solteiras” de militares falecidos será proposta contribuição de, no máximo, 10,5%, e sequer falar em triar fraudes?

Para piorar a comunicação, o próprio presidente Bolsonaro é militar, recebe o equivalente a dez mil reais por mês como reservista desde os 33 anos, usa a primeira pessoa do plural para se referir à categoria e bate continência para tudo que veste farda, inclusive estrangeiros.

Resultado: não convenceu ninguém, mereceu críticas até do líder do governo, o delegado Waldir, e para evitar a tarefa inglória de defender o indefensável, dificilmente alguma liderança se colocará na linha de frente pela Nova Previdência.

Perdas salariais e diminuição do poder de compra muitos outros brasileiros tiveram. Reestruturação de carreira urge em todo funcionalismo e, na iniciativa privada, raras são as profissões que não estão em xeque.

Na viagem recente aos Estados Unidos fizeram tanta espuma que não dá para enxergar um resultado concreto, positivo ou negativo. Mas é improvável que tenham aproveitado para conversar sobre como os americanos fizeram para sair da pior depressão econômica da história nos anos 1930. Teria sido oportuno porque inclui militares.

Aos cinco anos da quebra da bolsa em 1929 os EUA passavam pela campanha eleitoral de 1932 Hoover X Roosevelt. Oito mil veteranos da Guerra chegaram a Washington reclamando a antecipação do pagamento de uma subvenção adiada para 1945. Desempregados e desesperados, armaram acampamento na capital.

Hoover era o presidente e ordenou que se dispersassem. Não sendo atendido, despachou tropas para fazerem o serviço. Dois homens morreram e o acampamento foi incendiado.

No verão de 1933 FDR já era o presidente e os militares voltaram a acampar em Washington. A depressão continuava e o plano de austeridade do novo governo impunha sacrifícios indistintos. Roosevelt não cedeu, mas a primeira-dama Eleanor visitou o acampamento e se solidarizou com os manifestantes numa cantoria, pacificando a situação.

Entre 1933 e 1937 FDR implementou uma série de programas econômicos que, atados, entraram para a história como o New Deal. Aparentemente, salvou os Estados Unidos.

 
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