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Minha esperança morreu em Israel – Bolsonaro quer guerra

Infelizmente – e bota infelizmente aí –, perdemos os motivos que havia para considerar paranoia o receio de que o plano Bolsonaro é arranjar motivo para endurecer. Escrevi a respeito em dezembro, tomando o cuidado de torcer e até rezar para estar errado. Mas minha esperança morreu em Israel.

Para além da esperança morta, urge acusar de conivência quem relativizar o movimento do senador Flávio Bolsonaro que, estando em Israel, escreveu numa rede social uma provocação ao grupo terrorista Hamas. Caprichando no verbo, ZeroUm gritou em caixa alta: “Quero que vocês se EXPLODAM!!!”

Vindo do Bolsonaro menos desequilibrado entre os que têm mandato eletivo, a mensagem é um atestado da intenção de endurecimento da súcia miliciana que governa o Brasil, cujos sinais se revelam também em outras frentes.

Por exemplo na divulgação do vídeo que celebra a ditadura militar. Ninguém pode ser ingênuo a ponto de imaginar que a provocação revisionista causa em todas as pessoas o mesmo efeito.

Se a maioria dos indignados respondeu com mensagens de paz nas redes sociais ou numa linda caminhada silenciosa no crepúsculo de um domingo, como no Ibirapuera em São Paulo, também tivemos mensagens de ódio, revolta, sugestão de violência.

O candidato Bolsonaro foi esfaqueado por um psicopata em Juiz de Fora. A Polícia Federal investigou o caso a fundo duas vezes e concluiu que Adélio agiu sozinho. Não há razão para duvidar. Mas com tanto ódio no ar, quem afirmaria que outros psicopatas individualmente não intencionam atentado parecido contra a vida do presidente?

Ódio este que está por todo lado. Cartucho, o filho ZeroDois, em rara entrevista à jornalista Leda Nagle, confessou, chorando, que sente raiva dos que sugerem que o atentado a seu pai foi uma farsa, como que justificando seu comportamento carbonário nas redes sociais. Ninguém é isento de sentir raiva, sobretudo em situação parecida, mas de uma pessoa pública se espera autocontrole.

De um vereador esperamos que seja minimamente capaz de processar sua raiva e reconhece-la no outro, especialmente o cidadão ordinário que não tem a mesma responsabilidade. Cartucho não se pergunta como se sentem os descendentes das pessoas mortas, torturadas e especialmente dos tantos desaparecidos vítimas da ditadura militar? Não se preocupa que entre tantos eles exista um raivoso a ponto de trocar a própria vida pela de algum Bolsonaro? Ou mesmo pela de um ou mais cidadãos do Estado cujo chefe é seu pai?

Os terroristas do Hamas já foram especializados em atentados usando homem-bomba. Botaram a prática de parte não por princípio ou falta de voluntários, mas pelas dificuldades que a sofisticação tecnológica de Israel criou. Obviamente eles têm gente disposta a se explodir pela causa onde não se encontre a mesma dificuldade.

A BolsoFamília ainda faz provocações ao sicário Nicolas Maduro, notadamente na voz do ZeroTrês, o filho ChanCelerado, descaradamente disposto a cumprir a guerra de Trump na Venezuela.

Através de seus correligionários milicianos os Bolsonaro também duelam com narcotraficantes por territórios no Rio de Janeiro há bastante tempo. Como sabemos, a diferença entre milícias e organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho é que os primeiros contam com o apoio do Estado por meio de policiais e políticos criminosos.

O presidente Jair Bolsonaro não é inteligente, mas de bobo não tem nada. Sabe que,no todo de seu eleitorado há pouco músculo. Teto de 15% da população no meu palpite. Não é pouca coisa, mas é insuficiente para manter um governo sem agenda e em crise econômica.

Com a popularidade em queda, sem apoio parlamentar e sofrendo censuras diárias dentro do próprio governo, a alternativa que lhe resta para a manutenção do poder é endurecer o regime num plano de exceção. Para tanto precisa encontrar um motivo popular o bastante para que, apavorada, a sociedade peça por um capitão bravo no comando do país. E este motivo a BolsoFamília não para de procurar.

Em Israel, no momento em que ZeroUm provocava o Hamas, Bolsonaro testava uma submetralhadora. Na entrevista que se seguiu, o porta-voz general Rego Barros alertava: “Não fiquem na frente do presidente. Ele acertou todos os tiros.”

 
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