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Estupidez e burrice ou Moro em segundo lugar

Drauzio Varella é médico oncologista. A profissão da medicina a gente associa com a cura. Mas na especialidade da oncologia muitas das vezes a cura não é possível, e o papel do profissional é amenizar o sofrimento.

Drauzio é tão bom em amenizar o sofrimento alheio que o faz até escrevendo. Seus livros e artigos têm a capacidade de melhorar a vida de qualquer pessoa a qualquer tempo.

No dia 31 de março a Folha publicou um artigo seu intitulado Estupidez e Burrice, enfermidades de cura difícil, mas que a leitura, se não resolve,  ameniza.

O articulista médico contava a origem do PCC, organização criminosa nascida nos presídios paulistas que se tornou multinacional e mais poderosa que muitas das forças oficiais do Estado, mais organizada que diversas das nossas instituições.

No estatuto do “partido”, ou a “Constituição” do PCC, um item fala de seu DNA: “combater a repressão dentro do sistema prisional” e “vingar a morte dos 111 no massacre do Carandiru”.

Sim, o abuso do Estado, igual a tudo na vida, tem consequências, e uma que o massacre de 111 presos gerou foi a criação do PCC, que agora ninguém mais sabe como resolver.

Ao contrário do que a burrice e a estupidez acreditam, forte é quem protege, não quem ataca. O Estado, sendo a única instituição que pode se valer legitimamente do uso da força, carrega com a legitimidade o ônus da prudência redobrada. Se não por princípio de um governante eventual, por cautela, e pela noção de que, havendo reação contrária, será proporcional à sua força gigantesca, seja em potencia ou covardia.

Vem sendo lembrada à exaustão a frase do vice-presidente Pedro Aleixo quando da assinatura do AI-5. Se ele disse mesmo não importa, mas a imagem do exemplo superior sobre o “guarda da esquina” dificilmente será superada.

Me abstenho de rememorar tudo o que o presidente da República representa. Os sentimentos que ele desperta estão na sociedade, que muito por conta deles o elegeu. O problema é que uma vez eleito ele segue botando lenha e, pior, agora conta declaradamente com um aliado ídolo nacional, de fala mansa e que simboliza a Justiça. Ele mesmo, Sérgio Moro.

A proposta de relaxamento do tal excludente de ilicitude defendida pelo ministro da Justiça, a fim de amenizar para o agente policial que mata “sob forte emoção” em “regiões de pouca urbanização”, e com dificuldade “para diferenciar cidadão de bem de meliante” é pimenta no caldo cultural simbolizado por Bolsonaro e seus dedinhos.

Desenhando, o ministro Moro quer legitimar o “engano” dos militares que fuzilaram com 80 tiros o músico Evaldo Rosa dos Santos na frente do filho de sete anos e ainda debocharam da viúva.

Não é de hoje que pretos são fuzilados “por engano”. A novidade é propor autorizar o “engano”.

Serve para todo mundo. Sérgio Cabral Filho merece a cana? Claro. Precisa ser transportado com correntes aos pés? Não. Michel Temer parece corrupto? Sim. Precisa ser preso na rua por homens armados de fuzil? Não. Um preso pode ir ao velório do neto? A maioria deles, sim. Sendo preso por corrupção, como Lula, precisa de escolta fortemente armada? Não.

Todos os exageros acima têm nexo direto com o encorajamento do guarda que estrangulou à morte o filho de uma mãe que simultaneamente ele chamava de puta;  com o dos guardas do Metrô Bresser que deram uma cotovelada e um soco numa mulher ontem à noite; com o marmanjo que deu uma gravata numa jovem magricela que o provocou domingo na Paulista, apoiado por um casal de senhores marombados enquanto os três homenageavam a Lava Jato.

(Witezel e seus snipers, Doria fazendo festa em torno da tarefa dura da Rota em abater uma quadrilha fortemente armada miram 2022 e acertam os próprios pés.)

A notícia ruim é que a última pesquisa do Ipespe mostra que, apresentados aos nomes de uma dúzia de personalidades, 67% dos entrevistados aprovam a atuação de Sérgio Moro.

A notícia boa é que Moro ficou em segundo lugar, indicando que sua atuação é aprovada por aparentar relação com a Justiça, não  relação com sugestão de abuso de poder. De onde eu tiro a conclusão? O primeiro da lista, com 73%, é Drauzio Varella.

Então, por gentileza, peço a esta freguesia que esparrame o artigo do Drauzio em suas redes. Eis o link: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2019/03/estupidez-e-burrice.shtml

Agradecido.

 
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