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Petrobrás, carnaval e procissão

O tal mercado reagiu estarrecido ao canetaço do presidente da República sobre a política de preços do óleo diesel da Petrobrás, e as ações da companhia desabaram somando R$ 32 bilhões em perdas em curto espaço de tempo.

Se eu pudesse e se meu dinheiro desse, comprava lá uns papéis para aproveitar a recuperação iminente. Sei que seria uma decisão egoísta, pensando só em mim, mas a lógica do chamado mercado é esta.

Curioso o “mercado” chorar os R$ 32 bilhões perdidos. Não faz tempo, menos de um ano atrás, a Petrobrás deixou o preço do diesel correr solto e veio a paralisação dos caminhoneiros, impondo o desabastecimento às cidades brasileiras e prejuízos em todos os setores, incalculáveis pela abrangência, mas estimados em R$ 75 bilhões – e sobre a economia real, física, não nos painéis eletrônicos do dinheiro virtual dos investidores.

Quando Paulo Guedes resolveu abraçar Bolsonaro, mostrando-se disposto a pagar qualquer preço pela volúpia em provar que sabe tudo, notadamente aos colegas economistas que dele zombaram durante décadas, antecipou que, se não fosse do seu jeito, deixaria a vida pública e voltaria para a privada. Repetiu várias vezes a ameaça, feito um catioriño de madame, um tchutchuco que late mas não morde.

Ontem, definitivamente desautorizado pelo chefe, PaGue meteu o rabo entre as pernas e foi chorar no Leblon. Papel ridículo dói em qualquer um, e a dor aumenta proporcionalmente quando a pessoa se leva mais a sério do que seus pares.

O tal mercado, que quis enxergar em Bolsonaro um bom caminho, ultimamente vem festejando a possibilidade de autonomia do Banco Central. Pelo que apurei, continuam acreditando, em que pese o canetaço na Petrobrás.

É assim o mercado. Trabalha por conveniência, tanto faz a realidade e muito menos os princípios éticos. Os mesmos que choram o canetaço são os que assistem tranquilamente o desmonte do sistema de freios e contrapesos criados por Pedro Parente há alguns meses, com a intenção de conter a possibilidade de desmandos que nos entregaram o Petrolão.

Desde que Roberto Castello Branco assumiu a estatal por indicação de PaGue, a concentração de poder vem crescendo de forma pornográfica. Como se fosse uma empresa vulgar, na nova estrutura da Petrobrás o presidente ganhou poder de dono, centralizando decisões principalmente no que tange a venda de ativos da corporação. Acionistas minoritários e a própria União não poderão mais opinar ou sequer avaliar e se pronunciar sobre a venda do controle das subsidiárias. É escandaloso. Mas isso daí, para o mercado, tá ok.

Não por acaso, há quem suspeite que a desvalorização dos papéis interessa especialmente à turma que está de olho nas privatizações dos ativos da Petrobreas, daí o carnaval em torno do canetaço combinar tão bem com a procissão silenciosa ante a pornografia administrativa.

 
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