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Lula, Marinho, Mourão e Nabuco

A Rede Globo foi criticada por ignorar a entrevista com Lula. A favor da emissora, cabe dizer que, noves fora o talento dos jornalistas Monica Bergamo e Florestan Fernandes Jr., respectivamente Folha e El País, a notícia se encerrava na suspensão da proibição da entrevista – que o G1 deu. Já a entrevista em si, com o velho palanque delirante, não trouxe nada que merecesse notícia.

Dias depois, os canais mantidos em nome de Lula divulgaram o depoimento lido antes da entrevista, com ataques diversos à Rede Globo. É provável que os editores do Jardim Botânico tenham sabido antes, mas obviamente ninguém vai passar recibo.

Uma curiosidade sobre a entrevista foi Lula apelar à ciência para dizer que pode ser candidato ainda nesta encarnação. Com muitos anos de reclusão pela frente e outros tantos de restrição de direitos políticos, equacionando as variações de pena, novas condenações, faturamento político contra ou a favor, expectativa de vida e prazo de validade de atividade profissional humana, ninguém sensato pode supor reencontrar a foto de Lula numa urna.

Foi mais ou menos isso que a Monica Bergamo delicadamente sugeriu, ao que o ex-presidente respondeu: ora, dizem que o homem que vai viver 120 anos já nasceu…

A curiosidade está na fábula atribuída a Roberto Marinho, que em seu aniversário de oitenta anos teria ganho uma tartaruga de uma neta e recusado, justificando: melhor não, depois eu me apego, o bichinho morre, a gente sofre…

Se não é verdade, além de bem bolado é uma pena, porque vida boa deve ser a de uma tartaruga lá nos jardins do Cosme Velho.

Por falar em Cosme Velho, boa nova é a de colorirem o retrato do Bruxo. A foto em cores de Machado de Assis, com a pele mulata, vai colaborar com o tanto de serviço que temos pela frente contra o preconceito racial.

Aliás, outra coincidência com Doutor Roberto, que era acusado por Assis Chateaubriand de usar pó de arroz para embranquecer a pele azeitonada dos seus ancestrais mouriscos da Itália mediterrânea.

E por falar nos mouros, o general Mourão, que durante a campanha exibiu um neto lourão exaltando o alvear da família, em entrevista ao Roberto D’Ávila na Globo News disse de sua relação com Jair Bolsonaro: tudo tranquilo e sereno, feito baile de moreno – até a meia-noite.

Pelo jeito, mesmo descontando o fuso da Virgínia, a coisa já está pra lá das quatro da matina, e não demora acorda um colega de cinco estrelas com saudades de tocar o clarim.

Que situação… Tanta gente sofrendo, desempregada, desesperada, um governador celerado disparando de dentro de um helicóptero blindado contra áreas de maioria preta e pobre, crianças correndo do chumbo aéreo na saída da escola, e as alternativas à nova política são o aerofone e o Aerotanque.

Resta o consolo do Laurentino Gomes, que hoje no twitter lembrou Joaquim Nabuco. Há exatos 131 anos, uma semana antes de Isabel do Brasil assinar a Lei Áurea, o abolicionista pernambucano tomava a palavra na Câmara dos Deputados para dizer: “Eu lastimo que o túmulo da escravidão não seja largo bastante para conter tudo o que deverá desaparecer com ela.” Bidu.

 
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