Facebook YouTube Contato

Abraham apavora

R$ 2,1 bilhões das universidades. R$ 914 milhões da educação básica. R$ 5,7 bilhões na soma geral de verbas bloqueadas pelo ministério da Educação em seu orçamento não carimbado, oficialmente chamado discricionário.

Gente séria se apronta em dizer que não tem jeito, que a austeridade é o único remédio. Mas também tem muita gente séria dizendo que a austeridade, estendida até para a Educação, é veneno. Veneno de matar na raiz. Sou uma nulidade financeira, mas estou com o segundo grupo e não abro.

Já o ministro da Educação, que se considera o sujeito mais preparado para o posto em quinze gestões ou 27 anos, provavelmente se considera também excelente financista, tendo inclusive carreira destacada no mercado.

Abro parênteses para comentar a lista. Voltando quinze ministros, chegaremos ao professor José Goldemberg, sem dúvida um craque. Mas como entre este e o atual há muita gente boa, fico na dúvida se o corte foi Goldemberg ou Abraham Weintraub chutou quinze. Fecha e segue.

 

+ O Messias trocou água por água

 

O que o distinto parece não lembrar é que sua passagem pelo sistema financeiro foi desastrosa. Quando o Banco Votorantim balançou, seu economista-chefe era o próprio Weintraub. Só não quebrou porque Lula mandou o Banco do Brasil comprar 49,99% do capital votante, isto é, mantendo o controle com quem teria falido. Haja generosidade.

A transa significa R$ 4,2 bilhões em dinheiro de dez anos atrás. Se o ministro fizer a gentileza de somar a inflação, teremos uma boa comparação com os R$ 5,7 bi que ele segurou da Educação. Meu palpite é passa ao largo.

Sobre Humanas, alvo principal do ministro e seu chefe, fico mais à vontade para falar. Tenho medo de poucas coisas, e a principal delas são as pessoas que não temem o ridículo. Sob este ponto de vista, Weintraub me apavora.

Alguém que comete um erro crasso, de exatos 1.000%, em coletiva de imprensa, e não contente ainda sapateia sobre o erro, empinando-se e afirmando que faz mágica, é capaz de qualquer coisa.

Se a mesma pessoa vai a uma audiência com parlamentares e se vale do figurino de palestrante, com PowerPoint, mangas arregaçadas e balé no palco, para sem pudor cobrir-se de autoelogios ao mesmo tempo que confunde Franz Kafka com kafta, o bolo de carne no espeto da culinária sírio-libanesa, pode muito bem mastigar uma lata de pistaches com casca e tudo e continuar sorrindo.

Por tais motivos, estou apavorado. Mas não imagino quem poderia estar mais sintonizado com o governo atual do que um tipo assim.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments