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Bombachas estão na moda

Décadas atrás, quando o Yamandu Costa baixou em São Paulo, também seu bar predileto ainda era desconhecido. Lá no Filial, o gaúcho desfilava bombachas e alpargatas enquanto driblava o assédio vulgar dos bêbados e o especial, que despontava sobre seu talento colossal.

Bebia bastante, de vez em quando tocava uma moda e, no fim da noite, pedia um “prato de mãe”, usando as mãos abençoadas para sinalizar a vontade mundana de comer um bife caprichado.

Eu achava tudo lindo, inclusive as bombachas, exóticas em São Paulo, e as alpargatas, que no vaivém da moda, remetiam à minha infância.

Eis que, em pleno 2019, bombachas e alpargatas, juntas, estão em voga. As sandálias são fabricadas pela indústria homônima, que até por isso jamais deveria ter suspendido a oferta. Com todo respeito ao simbolismo das Havaianas, legítimas de fato, para a Alpargatas, deveriam ser as alpargatas.

Mas fenômeno mesmo são as bombachas, não só em São Paulo mas no mundo inteiro, para meninas e meninos e nas cores mais diversas.

Eles usam preferencialmente como roupa esportiva, feita em malha de moletom. Quem se senta em um bar próximo a uma academia pode conferir. Os mais jovens usam também para atividades sociais e os descolados até para trabalhar.

Para as meninas, como sempre, as opções são mais vastas. Além das bombachas em moletom, elas têm as de pano à disposição de qualquer gosto. Em comum, só o alcance da bainha, que nunca chega aos tornozelos – o que é uma maravilha, porque não há na anatomia feminina parte que seja tão bonita e reveladora quanto os tendões de Aquiles.

Quando estão com a barriga sarada, elas combinam a bombacha com mini-blusa. Curiosamente, fica bonito. A cintura alta e a folga nos quadris proporciona conforto para ambos os sexos e graça para a silhueta da mulher. Para além disso, esconde o umbigo, esta cicatriz que tem um que de bunda, considerando que todo mundo tem mas não deveria aparecer à toa. Oculto, o umbigo denota pudor, que é o maior tesão que existe.

Comtemplando as bombachas pelas ruas renovo minhas esperanças na humanidade. Se somos capazes de evoluir para o uso de uma roupa bonita e inteligente – conforto da cintura alta, folga na região das vergonhas e, atenção ciclistas!,  justeza nas canelas –, o futuro deve ser auspicioso.

 
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