Facebook YouTube Contato

Surfistas de tsunami

Ninguém pode cravar o que Jair Bolsonaro quis dizer quando antecipou um tsunami para esta semana. Aliás, o próprio bolsonarismo, como onda que é, e com tanta ressaca fabricada no governo, quem poderá distinguir a mais alta e gorda? Há meses é todo dia uma série. Haja folego.

Mas se valer aposta, a que mais o ameaça vem do MP-RJ, que pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador Flávio Bolsonaro, sendo atendido pelo TJ. Além do ZeroUm, a investigação alcança Fabricio Queiroz, amigo de quatro décadas de Jair Bolsonaro, a primeira dama Michelle e outros 88 funcionários que passaram pelo gabinete do então deputado estadual, muitos deles diretamente ligados a milicianos.

Para além do varão, do amigo do peito e da mulher, a investigação atinge o núcleo que é ainda tido como razoável dentro do governo. Mais exatamente os superministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e militares.

Já escrevi várias vezes e não me não custa repetir:

Em 2018 a Lava Jato no Rio de Janeiro prendeu dezenas de deputados estaduais, quatro dos cinco ex-governadores, presidentes da Alerj e do TCE;

O relatório do COAF sobre Flávio Bolsonaro faz parte da mesma operação e chegou ao MP-RJ em janeiro de 2018, mas só veio a público depois das eleições, em novembro, com saldo de trinta páginas. Em janeiro de 2019 a investigação somava 300 páginas e dois arquivos digitais;

A Lava Jato só foi tão longe por ser uma força tarefa onde a sintonia entre polícia, promotoria e juízes era total. Sérgio Moro precisa dizer quanto sabia de Flávio Bolsonaro;

Queiroz e filha dizem que foram exonerados treze dias antes do segundo turno das eleições, período que coincide com a versão do general Mourão sobre quando Paulo Guedes se encontrou com Sérgio Moro para fazer o convite para o ministério da Justiça. PaGue precisa contar ao Brasil sobre como foi a conversa, que agora inclui toma-la-da-cá com STF;

Entre fevereiro e dezembro de 2018 o Exército comandou a intervenção federal no Rio, com acesso irrestrito aos dados de inteligência da Secretaria de Segurança. Os generais devem falar ao Brasil se em onze meses notaram ou não as súcias bolsonaristas-milicianas. Precisam dizer se sabiam que o miliciano Ronnie Lessa, acusado de assassinar Marielle e Anderson, dono de 117 fuzis, era vizinho e ex-cossogro do presidente da República eleito.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
No Comments  comments 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>