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Imprensa e anunciantes – que fazer?

Gosto de jornais. Desgosto de shoppings. Problema: lendo jornais on-line, me sinto obrigado pelo sistema estabelecido a percorrer caminhos indesejáveis, como num shopping.

Nos dois casos o motivo parece ser o mesmo: promover o comércio, seja de anunciantes ou lojistas. É compreensível, porque ambos dependem do faz-me-rir.

Por outro lado, a razão de ser dos shoppings é vender, e a dos jornais, informar. Shoppings são espaços livres para passeio, e o preço a ser pago é aceitar ser assediado para o consumo. Dos jornais sou assinante, pago pelo acesso, ainda que supostamente um valor menor do que pagaria sem os patrocinadores.

Para assistir TV aberta o trato é aceitar o intervalo comercial. Mas na TV por assinatura eles também existem e duvido que algum assinante da Globo News não adore ouvir o Luciano Huck sugerindo investimentos – exceto todos os que não sofrem de incontinência urinária. De todo jeito, se for este o preço para o bom jornalismo, está barato. (Se não for pedir muito, quem sabe o anunciante possa produzir umas duas ou três versões extra para variar.)

O fato é que um país sem imprensa é inviável, assim como é inviável imprensa sem patrocinadores e assinantes. Quanto mais empresas anunciarem e mais pessoas assinarem, melhor. É um esquema franco onde todos ganham e vai além: imprensa sustentável e independente é um seguro social. Mantém poder público e sociedade sob vigilância, população informada, serve como porto seguro para proteger quem quer que seja de eventuais injustiças causadas pela desinformação.

Isto posto, compartilho um problema pessoal. Mantenho há anos meu blog escrevendo diariamente e oferecendo conteúdo gratuito. Naturalmente, neste momento uma possível freguesa alfineta: e alguém pagaria? Para minha surpresa, sim. É raro, mas há quem doe clicando nesta lousa à direita, na barra dos patrocinadores, estes que também muito me alegram e honram. Porém eu não poderia viver – e manter o BLC – se dependesse exclusivamente deles.

A alternativa que existe hoje em dia, e que todos os grandes jornais e sites adotam, é se pendurar numa plataforma de anúncios impulsionados sobre os quais não se tem controle, o que por um lado é bom, dado que o comercial sequer conhece o editorial, mas por outro obriga a freguesia, que compra credibilidade, a conviver com reclames escandalosos vendendo físico de Hollywood, riqueza saudita, vigores impublicáveis, medicina milagrosa, o clássico “aprenda inglês dormindo” e que tais. Que fazer?

 
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