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Saúde do cão

Era irresistível para os candidatos que concorreram nas eleições recentes terem pelo menos uma mensagem associada aos animais, principalmente os domésticos. Creio que ninguém escapou do post com o cachorrinho nas redes sociais.

O desafio era criar uma proposta que parasse de pé e não só sobre quatro patas. Sim, é possível ser pragmático e programático ao mesmo tempo.

Em 2016 eu fui candidato a vereador e propus criar o CheCão. Simplificando, um voucher que diluísse o investimento de dez milhões de reais em um segundo hospital veterinário público. Note: dez milhões em investimento, fora custeio / manutenção.

O argumento era que já existem espalhados pela cidade milhares de pet-shops e clínicas veterinárias. Consta que o número equivale ao de padarias. E, dando um cheque aos donos de cães e gatos e papagaios etc, que comprovassem não poder arcar com os cuidados básicos de saúde do animal, livraríamos o tesouro municipal do investimento, ao mesmo tempo que incentivaríamos a economia local.

Mais: o hospital veterinário instalado naquele então dizia atender à Zona Leste. Papo. Fica no Tatuapé e quem tem um cachorro em Cidade Tiradentes obviamente não pode traslar o bicho. Agora já temos o da Zona Norte, ali pelo Campo de Marte, e o pastor alemão de Perus continua desatendido.

E ainda: meu palpite era que os cachorros, levando os donos para passear, operavam a favor da urbanidade, impondo a convivência entre a comunidade, que não raro se conhece por “a dona do Rex”, o dono do “Lulu”.  Também ajudavam os próprios donos a fazerem o mínimo de atividade física, melhorando a saúde. Fazem boa companhia aos velhos e educam as crianças.

Não por acaso, a Rede Nossa SP divulgava um estudo baseado na análise FOFA (Força, Oportunidade, Fraqueza, Ameaça ou SWOT no acrônimo em inglês) dizendo que a relação com os animais era reconhecida como o único ponto favorável na vida em São Paulo.

Porém, tudo o que eu tinha para fazer a proposta era o meu postulado sociológico e uma ideia baseada em fato orçamentário.

Mas no sábado 1º de Junho o biólogo Fernando Reinach trouxe da Inglaterra pelo Estadão a comprovação científica. Em West Cheshire, de julho a agosto de 2015, foram estudados 385 lares com 191 adultos cachorreiros, 455 adultos sem cachorros e 45 crianças.

O resultado foi que “a variável que melhor explica a quantidade de exercício que uma pessoa faz na semana é a posse ou não de cachorro. O resto (idade, peso, estado civil, renda, educação) não faz diferença.

Pesquisas científicas que provam a relação entre caminhada e boa saúde há bastante por aí e me dispensam da citação.

Quanto, em saúde humana, poderíamos ganhar protegendo a saúde animal?

Pensar cidades saudáveis e felizes passa necessariamente por reconhecer que cada parte da urbe importa para o todo.

 
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