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Moro tem uma opção

Neste 13 de junho a consultoria Atlas Político publicou pesquisa mostrando que Sérgio Moro mantém a maior popularidade entre os membros do governo federal e outras autoridades. Contudo, a notícia não é boa para o superministro: aos quatro dias do escândalo Vaza Jato, verifica-se queda de dez pontos percentuais na simpatia popular, ou de 60% para 50,4%.

É curioso notar que, quando juiz, em teoria não político e independente de popularidade para trabalhar, em maio de 2017 Moro chegou a 69%. Agora que finalmente tem papel essencialmente político, e portanto dependente de popularidade, amarga um início de derretimento de forma acelerada.

A piada clássica sobre juízes é que, tendo que decidir, sempre descontentarão pelo menos uma de duas partes, o que significa terem no máximo a simpatia de 50%. Já os políticos, ministros incluídos, nomeados por quem venceu as eleições pela escolha da maioria, tomam decisões no sentido de avançar em pautas escolhidas por esta maioria, que podem ou devem contemplar os anseios da ampla maioria das pessoas, e por isso tendem a ser mais populares. Por aí é incontestável que Moro vai mal.

Como será sua vida pública daqui pra frente é uma incógnita. As três principais agendas diretamente relacionadas a ele se mostram comprometidas pela imprudência histórica de sua excelência.

A primeira é a Lava Jato. Se, como mostram as mensagens vazadas, Moro era o líder da força-tarefa, atuando sem limites na condução dos trabalhos, desde que aceitou ser ministro e pediu exoneração, a rigor poderia ajudar mais, ainda que à distância, pelo fortalecimento e organização da Polícia Federal. Sujo pelas mensagens que não desmente, e obrigatoriamente investigado pelos subordinados, fica em situação delicada para qualquer papel, notadamente o de liderança, seja oficial ou oficiosa. Uma pena para o país. Preço que sempre pagamos por preferir personalização à institucionalização de processos.

A segunda é a prematura sugestão para membro do Supremo Tribunal Federal. Se já era difícil, dado o constrangimento do compromisso eleitoral citado pelo presidente da República – que é quem indica, ou das evasivas posteriores do mesmo presidente da República, e ainda da resistência por parte do Senado, que referenda, e de integrantes das cortes superiores que torcem o nariz para périplos sem escala entre a primeira e a máxima instância, com o pesadelo no Telegram tudo indica que o sonho acabou.

A terceira, o Pacote Anticrime, feito nas coxas, sobre convicções pessoais e sem embasamento científico, criticado por especialistas daqui e alhures, se já não era prioridade para o governo ou para o Congresso, deve continuar merecendo a atenção de meia-dúzia de malucos da bancada da Selfie e das traças que porventura se encontrem nas gavetas planaltinas.

Isto é o que temos para hoje, e tudo pode piorar politica e juridicamente para Moro com as prometidas novas publicações do site The Intercept, bem como com as investigações sobre as conversas inapropriadas mantidas entre tantos membros da força-tarefa da Lava Jato.

No primeiro caso o mais novo integrante do rolo é o ministro Luiz Fux, nada popular entre os bolsonaristas, e que por isso contamina o grupo aos olhos de seus defensores mais devotos, mostra potencial de prejuízo político. Outros virão?

No segundo caso, com a evolução da investigação, é alta a chance de um membro do MPF-PR – acostumado a acusar e não a se defender – optar por delatar os demais, e inclusive a PF trabalha com a hipótese de ser um deles a fonte do vazamento.

Por tudo isso, fazer sua defesa e prestar as explicações que a República exige afastado do cargo de ministro da Justiça é a melhor opção que Moro tem pela frente, nem que seja para sinalizar que coloca o interesse público acima do particular.

 
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