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Bolsonaro olha a onça 2

A análise de um problema pode ser feita trás pra frente e de frente pra trás. Tanto faz. E tanto melhor se o analista fizer os dois percursos para tirar a prova.

No texto anterior imaginei Bolsonaro chegando ao segundo turno em 2022 usando sua base muscular reacionária na primeira fase, e engordando na segunda, que é plebiscitária, ao lado de liberais e conservadores apavorados com o PT.

Fazendo o caminho inverso, começando com um plebiscito pró ou contra PT, provavelmente o antipetismo venceria, como venceu em 2018, e afastado o medo haveria espaço para o eleitor escolher com calma o candidato antipetista de sua preferência, numa eleição onde dificilmente Bolsonaro teria êxito.

Ocorre que tal cenário só existe em hipótese e serve no máximo para confirmar o primeiro percurso. Dentro da regra que temos, a vantagem no campo antipetista é de novo de Bolsonaro, que com a caneta tem os holofotes que quer, fala direto com sua base eleitoral pelas redes sociais, pode desprezar a imprensa como já faz, convocar manifestações contra adversários e até outros poderes, faltar a qualquer debate mesmo sem facada, usando uma malcriação qualquer como desculpa – porque para seus seguidores, cola.

Outro exemplo possível é a eleição americana, cujo sistema acontece mais ou menos como na hipótese de etapas invertidas que apresentei. Isto é, sendo plebiscitária a eleição, com democratas versus republicanos, o eleitor primeiro escolhe um lado para então decidir quem tem mais chance de derrotar o outro lado.

A corrida para 2020 já começou por lá. Do lado republicano Trump busca a reeleição jogando para seu eleitorado, até porque sabe que é praticamente impossível converter um voto democrata em republicano, e vice-versa, sobretudo se republicano estiver ameaçado pelo velho fantasma comunista, que vem sendo a tônica da campanha trumpista. Do lado democrata é a maior quantidade de inscritos na história, a ponto de não caberem todos ao mesmo tempo num debate.

Porém, se os republicanos pudessem escolher outro candidato em eleições primárias, Trump teria que moderar o discurso e suar muito para conseguir a indicação. Até agora ninguém se habilitou, noves fora os radicais do Tea Party que até ajudariam Trump falando de um extremo ainda mais extremo. Se aparecer um nome razoável, deixará a corrida mais clara pela melhora do debate, e divertida pela incerteza ainda maior sobre o resultado.

* Um amigo jornalista que trabalha como correspondente nos EUA lembrou de John Kasich, político com longa trajetória parlamentar, bem sucedido como governador de Ohio, moderado e carismático. A ver.

 
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