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O Novo e a Nova Previdência

Desde as tentativas no governo Temer venho escrevendo que a reforma da Previdência é paliativa e que, antes dela, deveríamos fazer a reforma política, rever o pacto federativo, a partir dele fazer a reforma administrativa, a tributária e só então mexer na Previdência, já de acordo com a nova conjuntura. Perdi. Paciência. Estou acostumado.

Lamento não só pelo tempo como pela forma que foi feita, pesando mais sobre os mais pobres, com militares em separado, manutenção de privilégios para grupos da base eleitoral do governo e o despudor do próprio Presidente em bancar o lobby para policiais federais.

Mas reconheço que tem muita gente em Brasília empolgada com a Nova Previdência como está e por convicção. Gente séria que acredita, inclusive, no regime de capitalização ao modelo chileno. Discordo mas mantenho contato e prosa saudável. O advogado do diabo tem o condão de verificar nossas ideias e, melhor, trabalha pro bono.

Entre as bancadas mais empolgadas com a Nova Previdência está a do partido Novo, e aparentemente é uma posição programática, pactuada desde a campanha, em plena sintonia com o eleitorado representado pela sigla.

Daí que é difícil entender, estrategicamente, o movimento da bancada na manhã de hoje. Num tuitaço simultâneo a um esforço de assessoria de imprensa, os deputados federais novistas avisaram que, nesta reta final, vão trabalhar pela reinclusão de estados e municípios no texto através de uma emenda aglutinativa, que requer adesão de apenas 10% da Casa ou 52 deputados.

Na melhor das hipóteses é amadorismo, e talvez os novistas percebam quando colegas da oposição pedirem para assinar o destaque. Da reunião de líderes já saiu a notícia que o tema é sensível, provocará debates acalorados em plenário e pode atrasar ou até botar a perder a reforma toda.

Na pior hipótese é a sanha pelo protagonismo. Como o Novo não tem senadores, que são os parlamentares representantes dos estados e que, portanto, têm maior legitimidade para tratar da questão, pode ser que a bancada esteja jogando para a torcida para colher algum louro lá na frente. Passe arriscado.

Primeiro porque improvável que o destaque passe. No máximo, vai atrasar o andamento. Na prática, serve só para marcar posição. Se acabar em gol contra, será culpa do Novo. E se enfim passar no Senado, seus deputados terão que ficar nas pontas dos pés para aparecer na foto.

 

 
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