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O horizonte tucano pode ser definido em 2020

Em São Paulo, prefeito não se reelege. Nunca se reelegeu. A ressalva seria Gilberto Kassab (PSD) em 2008. Mas não conta, dado que ficou no posto pela aprovação da administração José Serra (PSDB), e quando resolveu fazer a sua, derreteu.

Na eleição de 2016 João Doria (PSDB) derrotou o então prefeito Fernando Haddad (PT) no primeiro turno. Era o começo da onda de renovação política e o auge do antipetismo no Brasil – o impeachment de Dilma Rousseff (PT) data de 31 de agosto e as eleições municipais ocorreram no dois de outubro. O fenômeno, batizado como Onda Azul, favoreceu Doria e o PSDB.

Em 2018 Doria seria de novo testado nas urnas, disputando o governo do estado, e levou uma surra dos paulistanos. Na capital, perdeu para Marcio França (PSB) por 58,1% a 41,9%, diferença de quase um milhão de votos.

O prefeito atual é Bruno Covas (PSDB), eleito vice em 2016 e empossado em 2018 com a renúncia de Doria. Para concorrer à reeleição em 2020, está posto que não poderá contar com o passado nem com o presente – se prefeito paulistano nunca se reelegeu, fica ainda mais difícil tendo 56,7% de desaprovação, 42,1% de ruim e péssimo e nem dois dígitos na pesquisa estimulada (Paraná Pesquisas Abr2019). E a projeção do futuro é ainda pior.

Em 2016 o PSDB ainda estava distante da Lava Jato, que só agora chega a São Paulo e, de largada, condenou Paulo Preto, apontado como operador tucano, a emblemáticos 145 anos de prisão (no Rio, o governador Sérgio Cabral, topo da cadeia alimentar, pegou 170 anos). A tendência é que os processos paulistas avancem daqui pra frente.

A concorrência deve ser bem mais dura que a de 2016. Naquele então, partidos simpáticos ao eleitorado tucano estavam coligados em torno de Doria, não lançaram candidato ou não existia, caso do DEM, do Novo e do PSL, respectivamente.

Em 2020 será diferente. O DEM sai da reforma da Previdência como namoradinho do mercado. O Novo agora tem tempo de televisão, é forte nas redes sociais, na militância e terá candidato. O PSL tem a presidência da República, um dos dois maiores tempos de televisão, um moinho nas redes sociais, capacidade de mobilização de rua comprovada e terá candidato.

O eleitor tradicional do PSDB, o tucano “raiz”, pode se sentir atraído a votar no neto de Mario Covas. Mas os problemas intraninho, notadamente os causados pela hegemonia doriana, o empurra para alternativas que estarão nas urnas, como Andrea Matarazzo (PSD), amigo pessoal da alta plumagem, Marcio França, vice fiel de Geraldo Alckmin (PSDB), ou ainda uma alternativa que surja pelo PV, Rede, Podemos, Cidadania, PMDB.

Enquanto isso os partidos de oposição trabalham para formar consensos pragmáticos. Para ser forte em SP, o PT estaria disposto a abrir mão do Rio de Janeiro e Porto Alegre para o PSOL.

Para além disso tudo, o governo Bruno Covas ainda carece de uma marca, e a aposta não poderia ser mais desastrada. Pelo cronograma apresentado, o prefeito parece acreditar que entregar o Parque Minhocão lhe renderá votos. A mim parece o justo inverso.

Os partidários do parque têm perfil mais descolado, são bicicleteiros, ativistas pela ocupação da cidade, entusiastas do uso do Centro para lazer, todos distantes do PSDB. Entre os que querem derrubar o elevado há um grupo mais conservador, que quer de volta a Avenida São João, árvores no chão e calçadas ensolaradas cheias de gente; e o grupo reacionário, especialmente incomodado com pessoas fazendo festa na porta de casa e revoltado com a mudança do nome para presidente João Goulart.

Contra todos eles há uma vasta maioria carro-dependente, que quer acelerar. João Doria sabia disso, operou contra o uso do Minhocão pelas pessoas, aumentou os limites de velocidade nas marginais, fez dois muros paisagísticos para quem passa de carro (na 23 de Maio e na Marginal Pinheiros), ambos fracassados, e ralou R$ 400 milhões numa plataforma eleitoral chamada Asfalto Novo – sem a qual, seu desempenho na eleição de 2018 teria sido ainda pior, é a triste realidade.

Como se não bastassem todas essas dificuldades na disputa pelo Executivo, com a última reforma eleitoral, em 2017, acabou a possibilidade de coligações proporcionais, no caso a chapa de vereadores. Não há sequer um tucano puxador de votos na Câmara ou identificável nos quadros da legenda.

Entre os tucanos mais votados em 2016, o primeiro foi Mario Covas Neto, tio do prefeito, que se mudou para o Podemos. O segundo mais votado foi Eduardo Tuma, atual presidente da Câmara, mas distante do partido e com reputação de ruborizar malufista. Então vem Patrícia Bezerra, que tem voto de nicho e se indispôs com João Doria quando da famigerada intervenção na Cracolândia, deixando a secretaria de Direitos Humanos. A lista segue com outros representantes, divididos entre os que têm voto de nicho ou curral. Com voto de opinião, ninguém com expressão eleitoral ou exercendo bom mandato.

A perspectiva é ruim para a próxima bancada tucana na cidade onde o partido nasceu há 32 anos. Na Assembleia Legislativa, mesmo com o PSDB tendo terminado o primeiro turno de 2018 em primeiro lugar, de dezenove deputados restaram apenas oito, sendo só um da capital. E para eleger Cauê Macris presidente da Casa, tiveram que trabalhar uma aliança com o arquirrival PT, fato que será explorado pelos adversários.

O resultado das urnas em 2020 em São Paulo deve determinar o horizonte do partido no plano nacional. Poderá ser uma das legendas aglutinadoras pós cláusula de barreira e fim das coligações, ou perecerá? Voltará ao velho mandabrasa ou será o novo PMDB? Ao que tudo indica, já não basta ao PSDB uma autocritica ou revisão programática.

 
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