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PaGue pagou mas não levou

PaGue não pegou. Digo, o apelido acrônimo que, ao juntar as primeiras silabas do nome e do sobrenome do ministro da Economia, com referencia a pagamento, pretendi cravar, só é usado nesta página. Água.

Fracassei também com Cebolinha, o personagem dos planos infalíveis, para mim muito parecido com Paulo Guedes. De novo, água.

As alcunhas imbatíveis continuam sendo a histórica Beato Salu, profeta do caos, que os acadêmicos de economia usam nos bastidores quando conversam sobre o coleguinha, ora ministro, ou Posto Ipiranga, pregada pelo chefe.

PaGue não pegou mas pagou. Não há outra explicação para tanta gordura na votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. O governo trabalhava com placar em torno de 340 votos a favor e o texto teve 379. Só Rodrigo Maia, sem antecipar placar, sugeria que haveria folga.

O resultado é bem diferente do sentimento popular. Se praticamente ¼ dos representantes do povo votaram pela reforma, os representados estão divididos meio a meio. Segundo o Datafolha de dez de julho, 44% das pessoas são contra e 47% são favoráveis às mudanças.

A explicação para a desproporção está nos números da carteira do ministro. Desde março PaGue liberou R$ 4,3 bilhões em emendas para os deputados, sendo R$ 2,55 só neste começo de julho. E ainda há a promessa de até R$ 40 milhões futuros por voto.

Para além disso, no dia da votação, com apoio do governo, o relatório da LDO 2020 na Câmara previa aumento do impopular fundo eleitoral para R$ 3,7 bilhões, dos quais o PSL de Bolsonaro e o PT de Lula serão os maiores beneficiados, com R$ 400 milhões e R$ 380 milhões, respectivamente, para as próximas eleições municipais.

E vale lembrar que Bolsonaro já havia, em maio, anistiado R$ 70 milhões em dívidas dos partidos. Depois, na maior cara de pau, negou que tivesse anistiado. Mas anistiou.

Problema: PaGue pagou mas não levou. A estratégia de endurecer com o Congresso e segurar o grosso do dinheiro até a última hora pode ter funcionado pontualmente, dado que o texto da Previdência passou em primeiro turno, com folga e projeção de economia em dez anos próxima do trilhão que o Cebolinha queria – falam entre R$ 700 e R$ 900 bi, a depender dos destaques que virão.

Porém, na cabeça dos deputados, ao liberar recursos de emendas impositivas o governo não faz mais do que a obrigação, e como lá bobo não há, já sacaram a tática de negociação, donde é improvável que voltem a cair na pose de durão do ministro, como indica a escassez de aplausos para a equipe econômica nos discursos pós aprovação do texto.

Pior: para a opinião pública, receio que os que aprovam a reforma aplaudirão a Câmara, e os que desaprovam vaiarão o governo. A ver. Se serve como indicativo, a euforia do mercado financeiro arrefeceu e no dia seguinte a Bolsa oscilou para baixo e o Dólar para cima.

Resta saber como os brasileiros receberão a agenda econômica pós Previdência. No que depender da brigada do Posto Ipiranga, é liberalizar geral. A meu ver tem prós e contras, mas o fato é que por aqui o liberalismo, em qualquer estrato social, é de vitrine ou, por outra, quem vive no Estado mínimo das periferias não gosta do modelo, é claro, e quem prega o Estado mínimo costuma ter comportamento de tarado, tratando benesses estatais como fetiche, delícia pra fazer escondido e condenar em sociedade,  a começar por Jair Bolsonaro, politico essencialmente corporativista e populista que já mostrou ser capaz de qualquer coisa para manter animado seu eleitorado original.

 
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