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Tabata Amaral, Eduardo Bolsonaro e o PSDB

Em palpites recentes, falei aqui sobre Tabata Amaral, Eduardo Bolsonaro e o PSDB paulistano. Sobre cada um dos três, gostaria de acrescentar o seguinte:

Tabata pode estar alinhada com o sentimento da sociedade de que partidos valem menos do que convicções particulares. Infelizmente é o que se verifica. Pena que a noção de que a infidelidade programática, uma das causas do descrédito, passe ao largo da percepção geral.

Comentei com um amigo que, fosse ela funcionaria da Ambev, pessoa jurídica de seu padrinho Jorge Paulo Lemann, e aparecesse bebendo Coca-Cola, seria demitida por justa causa, perdendo inclusive possíveis ações da companhia recebidas por bonificação, algo comum entre os executivos de capacidade semelhante.

Ouvi com tristeza a resposta do meu amigo: um contrato de trabalho deve ser respeitado em sua integridade, já a assinatura de uma ficha de filiação partidária não pode ser assim rigorosa. Triste período em que a relação patrão-empregado vale mais do que o entendimento entre representados e representantes.

A própria deputada não ajuda quando escreve na Folha que “muitos partidos já não representam de fato a sociedade, mas somente alguns de seus nichos”.

Ora, supondo que o curso de Ciências Políticas de Harvard ensine o básico de etimologia, e seus alunos devem saber que partido vem de parte, que é um outro nome para nicho, talvez seja o caso da universidade fazer um recall do diploma da graduada.

Um “partido” político que se pretenda representante de toda a sociedade, negando a pluralidade dos nichos e pontos de vista, é chamado de fascista. E vale lembrar que recentemente o Brasil elegeu um presidente que usou “meu partido é o Brasil” como slogan de campanha.

Eduardo Bolsonaro deve mesmo ganhar do papi a indicação para a embaixada brasileira em Washington. Como a confirmação do Senado passa por voto secreto, ainda é impossível prever o resultado.

Antes de escalar para o “se está sendo tão criticado pela mídia é sinal de que é a pessoa adequada”, o presidente da República argumentava usando uma analogia com a hipótese de ter no Brasil um embaixador argentino filho do presidente Mauricio Macri, que por isso teria tratamento diferenciado.

Difícil discordar. Sem dúvida o filho de um chefe de Estado teria tratamento diferenciado. O problema da lógica hermética de Bolsonaro é não perceber que vale para mais e para menos. Como evoluiria uma crise entre dois países tendo o filho de um dos líderes como principal diplomata?

Notadamente os Bolsonaro. Se nos parlamentos e redes sociais já são pólvora em potencial, imaginem atuando em Washington.

O PSDB de São Paulo resolveu encampar briga pública com Aécio Neves. Bruno Covas, prefeito e pré-candidato à reeleição, chegou a falar em “ele ou eu”.

Considerando o atraso, ninguém pode acreditar que o movimento seja por virtude ou, por outra, fica óbvio que a intenção é oportunista e eleitoral.

Impossível não lembrar da fábula do patinho feio que, expulso de sua turma, no exílio acaba se descobrindo um belo cisne.

Como é praticamente zero a chance de Aécio voltar a ser um belo cisne, bem maior e mais destacado que os patos, a alternativa que resta para fechar com a moral da história é enfear reduzir os patos à condição de pardais vulgares, predadores e oportunistas.

 
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