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Escroque reincidente

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, tinha dois anos de idade quando seu pai desapareceu na ditadura militar. Cresceu sem saber se o pai estava vivo ou morto. Qualquer pessoa que tenha o mínimo de sensibilidade sabe que é o pior e mais torturante tipo de luto. A esperança, que costuma ser a última que morre, neste caso é também a primeira que mata. E mata em vida.

Se acontece por acidente, numa queda de avião que nunca é encontrado, já deve doer uma barbaridade. Se acontece por incidente, distúrbio mental, saiu para comprar cigarro e não voltou, idem. Não desejo tal angustia a pior pessoa que possa existir no mundo.

Mas e quando foi o Estado o responsável? Quando quem deveria proteger o individuo, com poderes legais consentidos inclusive para puni-lo, vira seu algoz? E não importa o que o individuo fez. Toda solidariedade a quem enfrentou a vida nessas condições é o mínimo que se pode esperar de quem tem o mínimo de humanidade.

Hoje o presidente da República falou o seguinte sobre o presidente da OAB: “Se ele quiser saber como o pai dele desapareceu no período militar, eu conto para ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele.”

É de amargar. Alguém poderá imaginar que é impossível uma pessoa ser mais escroque. Que chegamos no auge da canalhice. Só que não. O presidente é reincidente.

Ao filho da jornalista Miriam Leitão, Mateus, ele disse: sua mãe, grávida aos dezenove anos, foi deixada nua numa sala com uma jiboia? Azar da cobra.

Na homenagem que a Câmara Federal prestou ao deputado Rubens Paiva, também desaparecido na ditadura militar, Bolsonaro apareceu e, diante da família que acompanhava a solenidade, cuspiu no busto.

É isso que temos hoje no posto mais alto do Brasil.

 
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