Facebook YouTube Contato

Boçais, idiotas, estúpidos

Boçais, idiotas, estúpidos, medievais, moralistas de botequim. Pesado, né? Mas foram os adjetivos usados para classificar o governador do estado de São Paulo e o prefeito da cidade do Rio de Janeiro.

Quem usou tais adjetivos? Ratinho? Datena? Olavo de Carvalho? Ângela Ro Ro? Não. Foi o doutor Drauzio Varella, que costuma ser um lorde.

Mas o que deu nele? Ora, justa indignação. Chega uma hora que a Língua precisa ser usada em sua plenitude e os adjetivos mais pesados existem justamente para tal fim.

O que fizeram João Doria e Marcelo Crivella para merecer o tratamento? Mandaram recolher livros da rede pública de ensino e da Bienal do Livro, respectivamente, argumentando que os respectivos conteúdos continham “ideologia de gênero” e “pornografia”, de novo respectivamente.

É inacreditável que em 2019 o prefeito da Cidade Maravilhosa e o governador de um estado que equivale a duas argentinas em PIB ou população mereçam ser tratados assim? Sem dúvida. Mas mais inacreditável é que tenhamos elegido ambos para os postos.

Não fosse a Justiça falar, a censura teria grassado cá e lá. Por falta de palavras o ministro Celso de Mello, DECANO DO STF, usou quinze exclamações para comentar o caso fluminense com a jornalista Monica Bergamo.

Porém o caso paulista me parece ainda mais grave porque agentes do Estado entraram em sala de aula para confiscar o material, que era depositado em sacos de lixo. Imagine você, freguesa, o efeito de uma cena assim na cabeça em formação de adolescentes.

O governador Doria e o prefeito Crivella são o retrato da ralé mais perigosa que hoje governa esferas importantes do Brasil. São ainda piores que o presidente da República porque disfarçam suas tosquices com polidez que a muitos convence. Aliás, não é a toa que tanto o Lide quanto a igreja Universal tenham tantos e tão parecidos seguidores, todos em busca da inclusão social que é negada a milhões de brasileiros e que está na raiz do atraso que torna possível duas bestas como estas serem eleitas.

Enquanto isso o Brasil segue como um dos campeões mundiais da violência contra homossexuais, mulheres, pretos e demais minorias ou grupos vulneráveis.

Acompanho a indignação do doutor Dráuzio e anoto que para mim chega. Não dá mais para tentar ter urbanidade com essa escória, com essa ralé. Daqui pra frente, por mim serão tratados pelo que são: boçais, idiotas, estúpidos. Medievais vou evitar porque Maquiavel, Tomas de Aquino e Agostinho não merecem tais companhias. E moralistas de botequim também, por respeito aos botecos do nosso Brasil.

 
 Share on Facebook Share on Twitter Share on Reddit Share on LinkedIn
Comentários desativados  comments