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Se não tem pontes, Moisés abre as águas

Advogado, mestre em Direito e coronel PM da reserva do Corpo de Bombeiros, Carlos Moisés, governador de Santa Catarina eleito pelo PSL com 71% dos votos, merece ser seguido em todos os sentidos.

Em agosto falou à repórter Paula Sperb da Folha de S. Paulo e desde então presto atenção, por motivos óbvios: já na campanha eleitoral o correligionário daquele que seria eleito presidente da República afirmou que não seria um mini-Bolsonaro – ao contrário dos tucanos João Doria e Eduardo Leite, do novista Romeu Zema ou do sei lá o que Witzel, que surfaram na aproximação.

“Muita sandice” foi o adjetivo escolhido para classificar as torcidas organizadas dos extremos nas redes e nas ruas. Sobre preconceito contra grupos indígenas ou LGBTs, enfatiza que o Estado tem que se aproximar de todos e, talvez, crie um programa de psicanálise para curar discriminadores – depois do talvez é impressão minha e vou dizer porquê.

O Governador incentiva a agricultura orgânica e afirma: “se precisar busca-los em casa para comercializar no ceasa, eu vou.” E taxa agrotóxicos: “Qualquer pessoa que saia do padrão mediano, que raciocine um pouco, vai entender que não se pode incentivar o uso”/ “Não há níveis seguros para resíduos”/ “Não proíbo, mas não taxo – é meu compromisso com o meio ambiente como cidadão e pai de duas meninas”.

Se não ficou claro o porquê da minha impressão de que ele entende o papel do Estado e não se furta em usar sua força pelo desenvolvimento, acrescento o tuíte de ontem: O Estado vai assumir o Terminal Pesqueiro de #Laguna. Vamos transforma-lo em um gerador de desenvolvimento, emprego e renda na região.

Impossível negar que é uma fala corajosa hoje em dia, dada a volúpia com o Estado Mínimo. O quinhão liberal desta freguesia deve estar inteiro arrepiado. Mas que fazer depois de tantos anos de crise econômica e o medo da iniciativa privada em investir? O Estado vai lá e sacode.

Santa Catarina deve ser campeã em fazendas de ostras e camarões e a pesca é importantíssima não só para a região como para o Brasil inteiro, com essa imensa, calma e rica costa desperdiçada.

Até o final do século passado Laguna era um ermo, região abandonada. O cenário só começou a mudar quando o professor zootecnista Edemar Roberto Andreatta, da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina atentou para as possibilidades de criar por lá fazendas para criação de uma espécie de camarão.

Numa bela parceria com a Yakult, que além de fazer aquele leitinho com lactobacilos vivos já explorava a cultura de camarões, a UFSC recebeu da empresa uma área que virou a fazenda experimental Yakult/UFSC e transformou a região em coisa de três anos.

Vejam que beleza: cientistas, universidade federal, iniciativa privada e governo, juntos, cooperando, mudaram uma realidade de dois séculos de abandono e atraso. Se por um fator conjuntural soluçou, o Estado volta para dar uma força.

Avante, governador Moisés! Se as pontes estão difíceis, abra o mar, separe os radicais e então, como bom bombeiro, mande água para esfriar os ânimos. Quando voltar a bonança teremos muitas ostras e camarões e gente contente para celebrar.

Atualização: conteúdo editado para incluir lista de governadores eleitos que surraram a onda bolsonarista.

 
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