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Do Super Trunfo ao Super Tinder ou como estou velho

Na minha infância havia um jogo de cartas chamado Super Trunfo. Era para a gente brincar enquanto se apaixonava por carros. Cada carta trazia a imagem de um modelo e a ficha técnica, que determinava a prevalência de uns sobre os outros e definia o resultado.

Apesar de nunca ter sido adepto, igual a todos os nascidos no século 20 me apaixonei por automóveis, motores etc. Cheiro de combustíveis nos animava. O melhor de todos no meu nariz era o WD-40 e curiosamente ainda é. Digo, recentemente a curiosidade foi desfeita: ele é feito de óleo de peixe, e tudo que vem do mar me anima. Basta eu me aproximar de uma banca de peixes, moluscos e crustáceos para que a alegria surja dentro em mim.

Me desapaixonei por carros há uns dez anos ou mais. Parece definitivo. Ontem olhei um Porsche, para mim o desenho mais bonito de todos, e pensei: ai que preguiça! Lavar, estacionar, abastecer, dirigir. Carro dá muito trabalho. Passo.

É divertido na escola ver como a molecada nascida já no século 21 não se importa com automóveis. É comum ouvir deles que sequer habilitação querem tirar. É um mundo novo que aparentemente veio para ficar.

Mas eles continuam se divertindo com jogos semelhantes ao Super Trunfo. Porém, mais interessante, as cartas são fotos de colegas pelados, os chamados nudes. Seria o Super Tinder.

Mais divertido ainda é ver como meninos e meninas se comportam ao receber as imagens. Eles, orgulhosos, exibem as peladas para os amigos, que trucam com outra pelada. Já elas…

Outro dia no café eu ouvia uma roda feminina falando dos matchs no Tinder. (Alguém da oposição poderá dizer que sou abelhudo, mas na academia chamamos isso de “pesquisa de campo”.) Recomendavam os caras legais e gostosos umas para as outras, sem traço de ciúme.

Logo a conversa escalou para os nudes, que elas também compartilham. Com uma diferença: rolam de rir com as fotos de pintos e peitos inflacionados.

Me lembro do primeiro e talvez o único nude que recebi. Meu celular era o Motorola Pebl, melhor design de todos os tempos. Saudosa memória a não ser pela baixa memória e velocidade de processamento. Era de uma jovem senhora mineira que eu havia conhecido no São Pedro São Paulo. Chegou no sábado seguinte ao nosso encontro. Problema: em Itatiba e com celular analógico, foram necessárias umas duas horas para chegar o corpo todo, meia hora só para o peitinho.

Hoje duas horas são suficientes para se conhecer, dar match, namorar inclusive biblicamente e chamar o uber para nunca mais.

Definitivamente estou velho.

 
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