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Rir de quem elogia o ministro PaGue é o remédio

Olho com receio o tal “lugar de fala”, tão em voga ultimamente. Entendo e respeito os pontos de seus entusiastas e defensores, mas sinto que está muito próximo do “argumento de autoridade” que, para estrangular a amplitude que os debates públicos merecem, tem potencial especial.

Um exemplo é a tendência humana em aderir às opiniões de quem supostamente está por cima. Numa sociedade que há quarenta anos se ajoelhou ante o monetarismo isso fica especialmente perigoso.

Se num almoço de família há um corretor de seguros e um metre de restaurante, mas o primeiro fez bons negócios e oferece a casa com piscina e churrasqueira, além dos bifes todos, suas opiniões sobre a melhor receita e como combinar com as bebidas tende a ser melhor aceita do que a do parente metre que faz disso seu ganha pão, estudando e trabalhando para melhorar sempre.

O cronista americano H. L. Mencken tratou bem disso há cem anos: “Talvez a mais valiosa de todas as propriedades humanas, depois de um ar de empáfia e superioridade, seja a reputação de bem-sucedido. Nenhuma outra coisa torna a vida mais fácil. Em 90% dos casos – e em 99% dos marxistas, que dão muito mais valor ao dinheiro do que ele merece e não param de pensar nele por um segundo –, existe um impulso irresistível para se ajoelhar aos pés da riqueza, submeter-se ao poder que ela detém e enxergar toda espécie de superioridade nos ricos ou nos que se dizem ricos. É verdade que há sempre uma ponta de inveja expurgada de ameaça: o homem inferior, no fundo, teme fazer mal ao homem com dinheiro; tem medo até de pensar mal dele – pelo menos de alguma forma patente e ofensiva. O que paralisa o ódio natural deste homem por seu superior é, digamos, a tímida esperança de que talvez lhe sobrem até alguns trocados se for bonzinho – e que lhe renderá mais soprar do que morder.”

No Brasil atual ninguém se encaixa melhor no perfil do que o ministro da Economia PaGue. Financista brilhante, conseguiu ficar enjoativamente rico e obviamente bajuladores vulgares não lhe faltam. Mas onde ele sempre quis ser respeitado, ou entre acadêmicos e políticos, o fenômeno não aconteceu. Ou só aconteceu agora, com tudo de cabeça para baixo.

Com o apelido de Beato Salu em suspenso por conta do poder de turno, que garante até aplausos e gargalhadas de uma plateia de elite financeira quando diz que a primeira-dama da França é feia, o distinto segue falando o que quer e pouca gente ousa contestar.

Não faz tempo ameaçou virar a mesa e deixar a Esplanada se o trilhão imaginário da Previdência não fosse garantido. Aliás, repetiu a ameaça várias vezes e desde a campanha. E a turma vai deixando ele falar, dando corda para o homem se enforcar.

Mais recentemente baixou a bola e entubou o veto do chefe Bolsonaro à criação de uma nova CPMF. Admitiu que não quer perder o emprego como aconteceu com Marcos Cintra, pedaço mais frágil da corda. Em outras palavras, fechou o Posto Ipiranga e renunciou ao cargo de superministro. Hoje é só mais um entre os craques do ministério de um lado e os malucos olavistas do outro. Posição medíocre para usar o termo exato. Ah, outra ideia para a reforma tributária não conseguiu apresentar.

Porém, como o costume é a força que fala mais alto do que a natureza, Beato Salu voltou a atacar. Derrotado por incompetência da articulação do governo com o Congresso na quarta-feira, quando o Senado aprovou em primeiro turno a reforma da Previdência, mas incluindo um destaque sobre abono salarial que desidrata a projeção de economia em R$ 76 bilhões em dez anos, o que fez PaGue?

Procurou dialogar para tentar reverter a medida em segundo turno? Não. Partiu para a ameaça aos senadores dizendo que vai descontar a fatura com a revisão do pacto federativo. Vingança, vingança, vingança.

Tenho por hábito tratar a todos com respeito e reconhecimento. Mas daqui pra frente, quando o assunto for PaGue, me permitirei a simplesmente gargalhar quando alguém sugerir que o ministro é sensato e sabe o que está fazendo.

 
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