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Da Geringonça é o mar-sem-fim

Houvesse um prêmio Nobel para Política, na esteira do que vai para a Economia, categoria criada posteriormente às orginais, o papa Francisco seria forte candidato. Infelizmente não há. Mas os políticos acabam entrando na lista dos concorrentes à medalha da Paz, que este ano foi para o primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali. Seus concorrentes com mandato mais destacados foram Jacinda Ardern e o próprio papa Chico, respectivamente chefes de governo da Nova Zelândia e de Estado do Vaticano. Entre os políticos sem mandato concorriam o cacique Raoni Metukitire e a ativista Greta Thunberg.

Porém considerando que um Nobel de Política seria parecido com o da Economia, por entrar na lista depois de estabelecidas as primeiras categorias, e que este último acaba de sair para um trio preocupado antes com a prática do que com a teoria, ou que chega à causa estudando o efeito, meus candidatos ao prêmio da Academia Sueca, ou do Comitê Norueguês,  seriam os membros da Geringonça portuguesa.

Que beleza conseguiram fazer por lá. Provam que, mais que possível, o entendimento é o único caminho.

A cronologia do poder em Portugal é de dar esperança a qualquer desesperado. Até 2016 o país sofria com a crise derivada de 2008, e acabou elegendo Marcelo Rebelo de Souza presidente ou chefe de Estado. Hoje sem partido mas tradicionalmente um conservador católico filiado à social democracia, o professor de Direito e comentarista de TV foi eleito em primeiro turno.

Ocorre que o chefe de governo era o socialista Antonio Costa, eleito primeiro-ministro em 2015. Como sociais democratas e socialistas por lá são adversários, deu-se o impasse sobre a formação do governo. E a resposta veio da inédita aliança entre socialistas, verdes e bloco de esquerda, logo apelidada de Geringonça.

A maravilha disso para mim está em notar o discernimento do povo português. Ao ver um governo formado em torno do campo progressista, elegeram para chefiar o Estado um exemplar conservador, criando equilíbrio e estabilidade.

Em 2019 voltam às urnas e aprovam o governo, aumentando a votação do partido Socialista de 32% em 2015 para 36% em 2019. Curiosamente, se invertidos, são os mesmo números alcançados pelo bloco Portugal à Frente em 2015, que reuniu PSD e CDS, alcançando naquele então 36% e, em 2019, se somados, teriam 32%.

O equilíbrio português é próprio dos grandes navegantes e merece ser festejado. Sem carta branca para ninguém, o diálogo é imperioso para o bom cruzeiro. Mar de almirante para a Geringonça. Dela é o mar-sem-fim.

 
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