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Entre Mario Covas e João Doria, quem Bruno escolherá?

Em duas semanas saberemos o destino político escolhido pelo prefeito Bruno Covas. Neto de Mario Covas e vice de João Doria Jr., ele poderá escolher entre o DNA do avô e o do companheiro de chapa que, abandonando a cidade, o fez alcaide.

Infelizmente, tudo indica que fará a segunda opção. Desde que assumiu, quinze meses depois empossado o governo, abriu mão de empregar uma agenda própria. Até aí alguém poderá dizer, com razão, que seguir o programa eleito é o correto. Vá lá. Mas ninguém pode ter compromisso com o erro, como o próprio cabeça de chapa dizia – e não cumpria. Exemplando: insistir no legado dos dois muros, o verde que secou na 23 e o de vidro que quebrou na Marginal, seria imprudente.

Mais: me parece que quem assume a partir de uma quebra de compromisso apalavrado publicamente fica desobrigado de seguir os passos de um notório vai-da-valsa atravessado. La Doria è mobile!

Ainda: a continuidade, notadamente dos programas estruturais, deve prevalecer sobre o poder de turno, e para tanto a cidade tem um Plano Diretor. Este é o ponto principal do meu palpite.

Igual João Doria, que rasgou o Plano Diretor (PD) e apontou a cidade para o sul, quando o combinado era seguir rumo leste, o líder do governo Bruno na Câmara enfiou despudoradamente duas palavras no PL 513/2019 que, rigorosamente, quebram uma cláusula do PD.

Ei-las: “Vias estruturais”. Desenhando: incluídas no texto, na surdina, porque a votação tratava de outro assunto, a malandragem permite que o terço de recursos do Fundurb carimbado para mobilidade a pé, transporte coletivo ou cicloviário, seja enterrado em asfalto. Coisa de R$ 400 milhões.

Problema 1: o pactuado no Plano Diretor, com todo caminho que ele percorre ao longo de dois anos de debates, incluindo a sociedade, especialistas, entidades e autoridades, é feito para durar quatorze anos ou três governos e meio, com possibilidades de revisões conjunturais em datas marcadas. A próxima seria no ano que vem.

Problema 2: quem pode confiar numa cidade que desrespeita a própria lei? Imagine a pessoa que comprou na planta um apartamento em um dos tantos prédios que sobem atualmente na Rebouças, Consolação, Nove de Julho, Santo Amaro, São Gabriel, Brigadeiro Luiz Antonio, República etc., todos fruto do exitoso PD? E os investidores que botaram bilhões neles? Óbvio que se sentem como patos que se sentaram à uma mesa de jogo onde o combinado seria melhorar as calçadas, corredores e ciclovias da região, nisto botaram suas fichas e, prestes a ver o resultado, deram de cara com um coringa contrabandeado pela banca, afirmando que naquela mesa vale tudo.

Problema 3: programaticamente é fragoroso e literal atraso. Numa breve mensagem de texto para alguém que estude e pense cidades, freguesa, você ficará sabendo que o problema da mobilidade urbana é muito asfalto, muita rua, ponte, avenida, túnel, viaduto, e não muito automóvel.

Problema 4: pragmaticamente é fragorosa burrice. João Doria fez a mesma coisa com a mesma soma de R$ 400 milhões visando dividendos eleitorais com o programa Asfalto Novo. Uma das ruas agraciadas foi a Prudente Correa, que liga a sede de suas empresas à sua chácara na rua Itália. Resultado: levou uma surra de Márcio França nas urnas da capital: 40% a 60%.

Acorda, Bruno! Ou antes: acorde o Mario que deve existir em você. E tire aquele Romero Britto que João deixou na prefeitura. Aquela cidade repleta de helicópteros e sem vivalma não é a São Paulo que queremos.

 
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