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Receita para sobreviver ao 17

Confortável neste 17 de outubro seria ficar ausente, evitar discussões que, como dizia o Otto Lara Resende, produzem perdigotos, não a luz.

Mas a verdade é que calar num momento assim é imprudente. Quando temos o general mais prestigiado do país ameaçando o Supremo Tribunal Federal, em sintonia com o grupo de maior influencia sobre o presidente da República, que por sua vez está longe de ser um modelo de moderação, falar é imperioso.

Há malucos esparramando mensagens que exaltam o resultado de popularidade adquirido pelo presidente do Peru desde que este fechou o Parlamento e, com efeito, acuou o Judiciário. Uma pena. Ocorre que por lá a Constituição prevê esta possibilidade e aqui é crime fazer apologia contra a Democracia.

Tivéssemos nós dado consequência legal aos elogios irresponsáveis do ora presidente da República – o principal, mas que não está sozinho – ao totalitarismo, esta situação quiçá pudesse ter sido evitada. Mas não é tarde. Nunca é.

A revolta da sociedade é compreensível, mas não cabe imaginar que a solução seja preterir a razão e a lei em favor da força. Sob o domínio desta ninguém está seguro.

Dito isto, me exponho aqui para me juntar aos que estão dispostos a defender as instituições e as mudanças e reformas necessárias para que estas se equilibrem com o zeitgeist, sempre respeitando o combinado anteriormente.

Calar agora seria fortalecer a apatia, primeiro mal que corrói a Democracia. Ausentes os democratas, restam os radicais e extremistas dispostos a tudo destruir, a começar pelas próprias vidas. Se desprezam a própria integridade, o que fariam com a do próximo?

Nesta e em toda guerra todos perdem, mas os que menos perdem acabam prevalecendo e, num segundo momento, historicamente buscam anular possíveis futuros grupos adversários, mesmo que não declarados. Esta é a raiz do fascismo, já escancarada.

É obrigação de todos, independentemente de lado ou partido, defender o Estado de Direito. Sem ele não há contrato social e a selvageria volta a imperar. Tenhamos isto claro sempre que a suposição de que pior do que está não fica acenar como alternativa.

Amemo-nos uns aos outros e sobretudo ao coletivo. Tenhamos a prudência de nos defender em grupo sem nos atacar individualmente.

 
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