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Quem lavou os R$ 51 milhões do Geddel foi a Polícia Federal

A Segunda Turma do STF condenou ontem os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Dona Marluce, mãe da dupla, foi denunciada pelos mesmos motivos mas por não ter mandato teve seu processo desmembrado e remetido à primeira instância.

No entendimento dos ministros a Procuradoria-Geral conseguiu provar como todo o esquema funcionou, atribuindo os valores a esquema na Caixa, propina da Odebrecht e a célebre rachadinha com assessoria parlamentar.

Ocorre que, ao contrário da cueca que na marchinha de carnaval virou pano de prato, o dinheiro não estava lavado. A lavagem completa só aconteceu quando as caixas chegaram para a contagem na Polícia Federal.

Enquanto esteve no bunker dos Vieira Lima, os pacotes de reais estavam envoltos com as fitas bancarias que são o DNA ou o remetente do dinheiro. Seriam fundamentais para o clássico “follow the money”. Através delas chegaríamos aos bancos e às contas correntes de onde foram sacados. Mas curiosamente, na hora de soltar e botar na máquina contadora, as fitas desapareceram.

É capaz que ainda existam. Cada uma delas deve valer pelo menos o dobro do valor que envolvia na boca do caixa de onde um dia saiu. Terá alguém realizado os saques?

Piada clássica sobre a plutocracia: na posse de um governo novo o mandatário saúda o plutocrata: você por aqui! Resposta: estou sempre por aqui, a novidade é vossa excelência.

Neste momento o STF julga a prisão após condenação em segunda instância. Entendo cada integrante desta freguesia que esteja com sangue nos olhos para ver o fim dos recursos sem fim que mantém quem pode pagar advogado em liberdade eterna. Mas a solução não é prender de qualquer jeito. (Geddel está preso PREVENTIVAMENTE desde setembro de 2017!)

O Elio Gaspari errou hoje ao comparar o arbítrio do futebol com o Direito à Justiça. Mas acertou na sugestão de um meio-termo que obrigasse o Estado, pelo STJ, a julgar em até 120 dias a apelação sobre uma condenação em segunda instância – que deveria ser resolvida no Parlamento.

De qualquer maneira, enquanto não vier o entendimento de que a raiz do problema é o plutocrata de sempre, que sequer denunciado é e sequer cogita condenação em primeira instância, poderemos prender Deus e todo mundo, que os patrões de Deus e todo mundo continuaram livres, leves e soltos.

 
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